domingo, 21 de julho de 2013

São tão mariquinhas

O meu pai teve uma solipampa que lhe valeu dia e noite no hospital. Nada de especial, mas muitos exames para fazer despistes. Foi-lhe diagnosticado sindrome de Ménière, que é uma cena que faz com se perca o equilibrio e a noção de espaço. A malta mal se aguenta em pé ou esbarra contra cenas. Qualquer pessoa da minha familia está familiarizada com a coisa, já que a minha avó já tem isto há muitos anos. Já nos pregou valentes sustos, com tralhos a atravessar a estrada e idas ao hospital e muitas nódoas negras. É uma porcaria duma doença que nunca se sabe quando vai gerar um episódio. Mas é mesmo só isso, episódios. A coisa pode durar umas horas ou uns dias. Mas depois passa. Todos na familia sabemos que passa e ninguém fica com aquilo para sempre.

Liguei ao meu pai para saber como estava. A resposta:

- fiquei inválido (com a mesma voz dramática com que costuma informar toda a familia, quando está constipado, que está a morrer).

- não sejas tonto. Não ficaste nada.

- fiquei, fiquei. Não consigo fazer nada, não posso conduzir, tenho que andar agarrado ás coisas.

- mas isso depois passa.

-não passa, ainda não passou, NUNCA MAIS VAI PASSAR!

 

Escusado será dizer que, entretanto, já está fresco que nem uma alface.

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