segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Vida nova

A minha resolução para 2015:
Marimbar-me. Para tudo e para todos. 

sábado, 13 de dezembro de 2014

Planos para 2015

Menos drama.

tempo e energia. aluga-se.

Ontem à noite, saí do escritorio e não me lembrava onde tinha posto o carro. Estava um real feel de -5 graus, noite cerrada. Estava prestes a desatar a chorar, quando me veio à imagem que o tinha deixado quase mais perto de casa que do escritório, quando fui almoçar, às 3h da tarde.

Cheguei à minha casa, uma casa já praticamente inabitável, dado o número de loiça por lavar e a quantidade de caixas de comida congelada, vazias. Comida essa que tem sido ingerida entre leituras e respostas de mails profissionais.

Enquanto preparava mais um panado de frango comprado no Lidl, encontro, no forno, o queijo pelo qual tinha procurado há dias e, por não encontrar, tinha assumido que haveria caído do saco das compras, no caminho. Porta por porta, pus no forno. É o mesmo que pôr no frigorifico. Obvio.

Vou ao monte de roupa por passar a ferro e oiço click. Luz do ferro a acender. Estava ligado. Não tinha ligado naquele dia. Se passei a ferro, no dia anterior, a falta de sono, não mo deixa relembrar. É capaz de ter ficado assim uns dias.

Neste preciso momento que vos escrevo, não consigo ter a certeza se alguma destas frases faz sentido.

Talvez devesse deixar em rascunho, para relê-lo, depois de uma noite bem dormida, que, na verdade, não sei quando vai acontecer. Mas depois como é que mostrava a razão pela qual não tenho escrito aqui?

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Quem espera...

Dizem que quando não temos problemas, os inventamos. E eu devo ser perita, porque tenho, neste momento, um único problema. Não consigo escrever. Mal ou bem, com ou sem interesse para os outros, eu tenho sempre tema. Consigo sempre, desenvolver qualquer merdice.

Ontem pensei escrever sobre o meu novo lema. Mas, depois, comecei a pensar e é, realmente, uma solução fantástica. Para quem, como eu, não tem problemas.

Pensei, também, escrever, sobre como passamos a vida à espera de qualquer coisa e nos agarramos à crença que aí é que vai ser. Quando somos adolescentes, esperamos pela emancipação. Quando somos adultos, pelo fim de semana. Quando somos solteiros, pela relação. Quando estamos numa relação, pela folga. Quando não esperamos nada, esperamos pelo momento em que tenhamos algo pelo qual esperar. E enumerar as várias esperas que vejo à minha volta, seria um post pelo qual poucos esperariam que acabasse. Uma seca. Por isso, agora, o que espero é que este post de merda, sirva, como muitos outros, para desemperrar. Só para isso. Assim espero.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Estado de(o) sítio

Estou atrasada na escrita de posts para o blogue. Tenho 400 e tal post no feed, por ler. Estou atrasada nos estudos do curso que comecei a tirar. Tenho dois montes de roupa para passar a ferro e uns quantos tufinhos de pelos de cão, por aspirar. Vou jantar sopa da bimby e lasanha do lidl. Estou a mil. Estou cansada. Estou feliz.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Online dating

Não tenho nada contra este método para conhecer pessoas. Conheço algumas pessoas que iniciaram relações desta forma, mas na verdade, não me recordo, agora, de nenhuma que tenha resultado. Aliás, se conhecerem, contem-me tudo ali na caixinha de comentarios. Eunão conheço e acho a coisa demasiado artificial. Não julgo. Sei que acaba por ser uma forma de se conhecer gente que, supostamente, se encontra com uma disponibilidade emocional idêntica.

Talvez seja eu que seja uma eterna romântica, mas, na minha opinião, conhecer alguém e sentir atracção por essa pessoa não depende apenas duma imagem, como uma foto online e uma boa conversa num chat. O nosso cerebro percepciona-o dessa forma, mas na verdade, há um conjunto de factores que influenciam a nossa percepção e a imagem que formamos das pessoas. A linguagem corporal, o cheiro, o tom de voz e, talvez, até o local e o que circunda duas pessoas, quando se conhecem, influencia a forma como a iremos ver. E isto é mágico. E essa magia perde-se quando o conhecimento é feito a seco,através dum computador, muito provavelmente, potenciado por uma imagem que se escolheu a dedo.

Sou solteira, mas, na verdade, estou sempre ou com alguém, ou a recuperar de alguém. Nunca tive essa sensacao de que nao consigo conhecer alguém. E também gosto dessa ideia de que as coisas, simplesmente, acontecem. Sem as procurarmos.

Os motivos pelos quais continuo solteira, prendem-se com o facto de ter tido histórias que não resultaram, ou não ser correspondia, ou, eu próprianão corresponder, mas acredito que "it’s a numbers game" e, volta e meia, lá acontece essa grande coincidência que é gostar-se de quem gosta de nós. Que, eventualmente, pode resultar ou não.

Lá está, o meu romantismo a vir à tona, mas, pessoalmente, prefiro estar sozinha, a perder esse momento que é conhecer alguém, cara a cara e sentir essa coisa a que se chama química e nos faz sentir borboletas no estômago. Espontaneamente.

Agora, contem-me de vossa justiça.

 

Online dating

Não tenho nada contra este método para conhecer pessoas. Conheço algumas pessoas que iniciaram relações desta forma, mas na verdade, não me recordo, agora, de nenhuma que tenha resultado. Aliás, se conhecerem, contem-me tudo ali na caixinha de comentarios. Eunão  conheço e acho a coisa demasiado artificial. Não julgo. Sei que acaba por ser uma forma de se conhecer gente que, supostamente, se encontra com uma disponibilidade emocional idêntica.

Talvez seja eu que seja uma eterna romântica, mas, na minha opinião, conhecer alguém e sentir atracção por essa pessoa não depende apenas duma imagem, como uma foto online e uma boa conversa num chat. O nosso cerebro percepciona-o dessa forma, mas na verdade, há um conjunto de factores que influenciam a nossa percepção e a imagem que formamos das pessoas. A linguagem corporal, o cheiro, o tom de voz e, talvez, até o local e o que circunda duas pessoas, quando se conhecem, influencia a forma como a iremos ver. E isto é mágico.  E essa magia perde-se quando o conhecimento é feito a seco,através  dum computador, muito provavelmente, potenciado por uma imagem que se escolheu a dedo.

Sou solteira, mas, na verdade, estou sempre ou com alguém, ou a recuperar de alguém. Nunca tive essa sensacao de que nao consigo conhecer alguém. E também gosto dessa ideia de que as coisas, simplesmente, acontecem. Sem as procurarmos.

Os motivos pelos quais continuo solteira, prendem-se com o facto de ter tido histórias que não resultaram, ou não ser correspondia, ou, eu próprianão  corresponder, mas acredito que "it’s a numbers game" e, volta e meia, lá acontece essa grande coincidência que é gostar-se de quem gosta de nós. Que, eventualmente, pode resultar ou não.

Lá está, o meu romantismo a vir à tona, mas, pessoalmente, prefiro estar sozinha, a perder esse momento que é conhecer alguém, cara a cara e sentir essa coisa a que se chama química e nos faz sentir borboletas no estômago. Espontaneamente.

Agora, contem-me de vossa justiça.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Quando achas que pior é impossível

Vem algo ou alguém que te prova o contrário e que nada, mas mesmo nada, é impossível.
Também eu entrei nesse desafio de listar os 10 livros que me marcaram, no facebook.
Costumo ignorar muitos desses desafios, mas bolas, era sobre livros e eu gosto tanto de livros. E perco poucas oportunidades para me gabar que leio muitíssimo. Leio 3 a 4 páginas por dia, até se me comecarem a trocar os olhos, mas raiosparta, que já é muito acima da média. 
Também eu recorri aos clichés do Princepezinho e do Gabriel Garcia Marquez, mas caraças, nao há como fugir a certos clássicos.
Alguém escrevia num post, que isto dos livros iria servir para fazer uma limpeza ao seu facebook e que apagaria toda e qualquer pessoa que incluísse, na sua lista, Paulo Coelho. Achei que tinhamuitíssima  razao. Nada tão mau me teria ocorrido. Até hoje. Até alguém ter misturado o Princepizinho e O Diario de Anne Frank com esse top de vendas que foi, nada mais, nada menos, que As (famosas) sombras de Grey. Tive tanta vergonha alheia…

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

No fundo, no fundo...

" Espero que te arrependas.

Que, em pesadelos, te penetre a alma até sangrares e que grites o meu nome até acordá-la e fiques tao rouco que não consigas tecer uma justificação plausível.
Que te dificulte o sono, o descanso, a paz.
Que a minha cara te persiga no meio da multidão, várias vezes por dia, tantas quanto mereces, por minuto portanto, melhor, por segundo, por cada pulsação que senti com a tua proximidade, por cada desejo não concretizado, por cada vida não vivida contigo. Que sintas a minha respiração na tua nuca enquanto esperas o metro, o autocarro, no transito, no trabalho. que o meu nome apareça nos livros que lês no silencio da noite, que a minha voz apareça no rádio, no coro de uma música qualquer.
Que pressintas o meu corpo colado ao teu quando estiveres no duche, o meu abraço por trás quando fizeres a barba, que percebas que estou a descobrir a que sabe a tua língua quando estiveres no meio de uma reunião, quando te pedirem para falar de coisas sérias e confusas e que te engasgues com todo o meu desejo e vontade de te sufocar de sentimentos. que morras ali mesmo, mil vezes e que ressuscites para te ter mais uma vez em sonhos.


Que sejas feliz com ela. a sério."


Roubado, descaradamente, à Sophia do Danos Colaterais

 

 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

I'm falling in love#2

Só uma amostra:
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

I'm falling in love

Nao foi amor à primeira vista. Comigo nunca é. Preciso de conhecer as vicitudes, os vícios, os defeitos - podem ser tao apaixonantes, os defeitos.
Não foi um começo fácil. Pelo contrário. Ia e vinha, ao sabor do vento, da vontade ou do meu próprio humor. A verdade é que nem sei.
Mas fomo-nos ajeitando, ambas as partes redefinindo-se para se complementar, para se conhecer, para se aceitar.
E assim nasceu esta paixão, que dá, agora, lugar a essa euforia própria dos começos, da descoberta, da novidade.
Estou apaixonada. Muito. Por esta nova cidade em que vivo. Que tem os melhores pôr-do-sol, nas suas pontes. Que me tem apresentado algum Sol, mas sobretudo me tem trazido muitas pessoas. Umas ficam, outras nem por isso, mas todas vão deixando um pouco de si, da sua historia ou, simplesmente, da sua gargalhada.
Estou apaixonada pelos seus cantos, pela sua pequenez, por esse ar de vila, onde todos se conhecem, mesmo que muitos sejam de tantos outros paises.
Eu nao queria mudar. Hesitei, tive dúvidas e tive, sobretudo, muito medo deste recomeço. Há males que vem por bem. Este veio para me apaixonar. Pela cidade.

Solteira aos 34

Conheces rapaz num bar. Conversam. O rapaz põe-te a mão na cintura, flirta, conversa mais um pouco, tenta tirar-te o cigarro, porque te faz mal e serve de desculpa para que te toque, mais uma vez, casualmente. Pergunta-te há quanto tempos fumas, acreditando que é a primeira pessoa que te vai explicar os maleficios da coisa e convencer-te, ali e agora, a deixar de fumar. Fazes as contas, 34 menos 14, porra, já fumo há 20 anos.
Rapaz fica perplexo a olhar para ti. Rapaz tem 23 anos.
Daqui, são duas as conclusões que se tiram. Fumaste durante toda a vida do gajo que tentou pôr a mão no teu rabo e este creme anti-rugas é mesmo bom.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Viver fora

Desde que emigrei, inevitavelmente, sempre que volto a Portugal, sinto-me deslocada. Adoro lá estar, conto os dias para lá estar, mas perdi o "meu" sitio.

Já não conheço as modas. Não conheço os novos restaurantes, os famosos novos mercados, nunca ouvi o "Bo tem mel", não faço ideia quem são as personagens que entraram na Casa dos Segredos e, pior, já não sei o que vestir. Não só porque o meu guarda-roupa deixou de comtemplar mangas curtas ou sandálias, mas também porque não faço ideia o que se veste, por essas bandas. E isso, pá, parecendo que não, dá cabo duma miúda.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O que ninguém nos explica

Quando mudamos de país, passamos a ter, na nossa vida, um sentimento de saudade, constante. Não há dia que não tenha saudades de Portugal. No entanto, quando se volta a Portugal, a partir de certa altura, já se sentem saudades de certas coisas, relativas a esse novo país que nos acolheu, ainda que a ele não pertençamos. E este é o principalmente motivo, pelo qual, se diz que quando se vive fora, já não se volta. Nunca mais se volta. Mesmo voltando.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

E esta, hein?

Este fim de semana, estava eu, alegramente, a conversar com uma amiga espanhola, quando um rapaz nos interrompe, para meter conversa. Pergunta se somos espanholas, a espanhola, obviamente, respondeu que sim e eu ca fiquei caladinha, que vi logo que não era para mim a chamada de atenção.
Pois que o menino também era português. De Bragança. E ali esteve a dar o seu melhor espanhol enquanto batia couro. Quando a espanhola se fartou, lá meteu conversa comigo. Perguntou-me de onde sou. E perante a minha resposta, informou-me "odeio".
"desculpa? Como assim odeias? A minha cidade? Eu? As pessoas?"
- "Odeio tudo, odeio Lisboa, o Ribatejo, o Alentejo e o Algarve. Odeio o sul"
- "mas conheces alguém de lá?"
- "Nao e recuso-me. Nós, do norte, somos assim, odiamos o Sul"

Posto isto, saí de fininho, já a fazer o figão, que isto do quebranto pode ser uma grande tanga, mas nunca fiando.
Fiz uma única consideracao sobre o assunto, mas deixo-vos com isto e com a caixinha de comentários, ali em baixo, para que me contem as vossas.

O flagelo

Sempre achei interessante a forma como a natureza e o nosso próprio corpo nos conseguem enganar a mente.
Homo sapiens com pouca sapiencia quando o corpo nos traí.
Achava que estava imune a certas ideias e certos comportamentos, e acreditava que isso se devia ao facto de ser um espécimen altamente desenvolvido, em que a inteligência era de tal forma afiada, que nao havia cá engodos.
Uma convencida do pior, sem modéstias e merdas. Entendo o que se passa no corpo e na natureza e isso seria o sufiente para me tornar num ser acima da média, capaz de passar a perna a essa grande trapacieira, a natureza.
Até ao dia...
Há uns meses, achei que devia parar de tomar a pílula. Na irlanda só vendem com receita, na Irlanda, eu tenho alergias a medicamentos que em Portugal, nem beliscam e, na Irlanda, em desespero de causa, em plena crise alérgica a um antibiótico que me deixou pior que a doença, achei que já chegava de andar a meter porcaria cá para dentro, acabou-se tudo o que era bolinha química pela garganta.
E durante 6 meses a minha pacata vida e a minha tão aclamada inteligência, foram todas para o galheiro. Durante 6 meses, tive, pelo menos uma semana, de drama por mês.
De repente, achava que o mundo estava contra mim. Que as pessoas não gostavam de mim. Que se tinham dito que o dia estava bonito, me estavam a despachar. Sentia-me sozinha, sentia-me estagnada, cheguei até a sentir-me velha acabada, "a minha vida é só isto e vou ser infeliz para toda a eternidade". Sim, isto ocorreu-me.
Todas as vezes que tive este pensamento, exactamente no dia seguinte, a mae natureza dava-me sinal. E eu, invariavelmente, pensava "Ahhh, então era isto". Respirava, acalmava e ia à minha vida, "a ver se me lembro disto para o mês que vem". Mas não me lembrava e reiniciava o ciclo. Entupia os ouvidos do meu alvo amoroso, chorava na almofada, ligava às amigas para que atestassem a minha desgraça e lá vinha o que no anúncio dizem que é uma senhora com confettis. Respirava fundo e passava.
Cá por causa das coisas, voltei às 21bolinhas diárias. E a minha vida mudou. E fiquei a perceber, ainda melhor, o mundo que me rodeia e o verdadeiro flagelo deste mundo. Hormonas.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A felicidade nao traz felicidade a todos

Já estive nesse lugar. Nesse lugar, onde te vejo, agora. O mundo desaba-nos. As pessoas falham-nos. Os sonhos desmonoram-se.
O mundo, esse, acabou. Esse que nos dizem que continua a girar já nao é nosso, nao como o conhecemos. O nosso, esse, desmorou-se. Caiu-nos em cima da cabeça, no momento em que nos abalaram as crenças.
Ja estive nesse lugar. Em que era só eu e a minha dor. E ai de quem nos interrompesse. Se atravessasse entre nós, nesse momento em que eu,tão  embrenhada, a alimentava, acarinhava, ajudava a crescer. Nada era mais importante e nao me venham dizer que sim, porque nao sabem, nao estavam, nao sentiram. Esta dor é minha, só minha e essa que dizem que ainda posso causar, nao se compara. Pura e simplesmente, porque nao é minha. E porque já estive nesse lugar.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Esqueletos no armário

Um dos meus maiores problemas é a desorganização. Não sou, por natureza, uma pessoa arrumada e tenho a capacidade de um esquilo para acumular coisas que, acho eu, posso vir a precisar, eventualmente. Desde os tempos em que a minha mae me dizia “não sais de casa, sem ter esse quarto arrumado" que faço um esforço herculeo para conseguir manter a coisa apresentável. O problema é que se antes se tratava de um quartinho com 10m2 e um monte de roupa, em cima da cadeira, actualmente, tenho que lidar com tralha correspondente a uma casa com 2 andares, dois quartos, uma cozinha, uma sala e um jardim. Não pensem lá que vivo nalguma mansão. Apesar desta descrição vivo numa casinha muito pequenina e muito fofinha. Cheia de tralha que não tenho a certeza se vou mesmo precisar.

Nesta minha demanda, encontrei uns blogues sobre minimalismo e sugestionável como sou, não hesitei, decidi que ia passar a ter uma dessas casa onde tudo é branco e a pessoa nem espirra para não desiquilbrar o yin-yang da coisa. Sabe-se lá o espaço que ocupariam uns perdigotos.

E foi assim que descobri que isso do minimalismo usa e abusa do mesmo truque que eu usava com a minha mae, quando tinha mesmo que sair rapidamente, que uma adolescente sabe lá o que vai perder, se se demorar mais 5 minutos que o resto da malta.

Posto isto, só vos digo, quando entrarem numa dessas casa vazias, em que parece que nao vive lá alma, experimentem duas coisas : espirrar e abrir uma gaveta.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Ingenuity eats assumption for breakfast

E é só isto que me apraz dizer.

Sei que serão várias as pessoas que não  entederão esta frase. Podia perder o meu tempo a explicá-la, mas deixo a asumpção (não me venham com histórias sobre o novo acordo ortográfico, que esta é daquelas que nem se lê da mesma forma) para os ingénuos ou o que lhes quiserem chamar.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Publicidade enganosa.


Tenho um date este fim de semana. Enquanto muitas iriam já já a correr comprar roupa, fazer a depilaçao, ir ao cabeleireiro e esse tipo de coisas, o que é que eu vou fazer?
Limpar o carro.
Aparecer-lhe com o carro limpinho, sem lixo, nem pêlos de cão, é tanto ou mais enganador que uma gorda que usa spanx ou uma tábua com wonderbras.

This world is fucked up

Hoje, um amigo meu, escreveu, no facebook, um post, onde agradecia ao famoso hacker, que tornou as fotos pessoais da actriz Jennifer Lawrence, públicas.

Comentei o post, porque considero todo o desenvolvimento à volta desta história uma violação de privacidade enorme. Não consigo entender o entusiasmo à volta disto, quando a actriz até já aparece bastante descascada, em muitos filmes. Já me disseram que está um bocadinho mais descascada, mas, para mim, é claro que o verdadeiro interesse na coisa, é o facto de ser pessoal e permitir um voyerismo que a raça humana adora. Ninguém agradeceria fotos minhas dessa estirpe, logo, se alguém tivesse acesso ao meu telefone, não as encontraria. Mas encontraria mensagens pessoais, fotos que troco com uma amiga, só para aprovação do outfit, coisas que escrevo, screenshots de conversas, coisas que me fariam sentir nua. Ao final do dia, estas pessoas são comuns mortais, tal como nós e isto representa uma invasão cuja a dor mal consigo imaginar. Ao meu comentário, o meu amigo respondeu que, no fundo, tinha passado a ver a actriz de forma mais humana e que tudo isto resultava em publicidade positiva para a dita. Só faltava dizer que o gajo merecia um agradecimento. Só se esqueceu duma coisa, positiva, ou não, a dita publicidade teria que ser uma escolha sua. Tão simples quanto isso. Todo e qualquer ser humano tem o direito de escolha, sobretudo sobre aquilo que quer, ou não, partilhar, não importa se é actriz, empregada de mesa, blogger ou até, actriz pornográfica.

Entretanto, o cabrão que usou os seus conhecimentos informáticos para invadir quem, á falta deles, se mostrou mais vulnerável, continua a receber milhares de visitas e doacções para a sua conta paypal. Neste momento, há milhares de pessoas a contribuir para a riqueza dum gajo que ataca o mais fraco. E não me venham dizer que é a minha perspectiva e pardais ao ninho. É doente. Alguém mais forte atacou o mais fraco. E o mundo aplaude. A mim enoja-me.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Ó faxavor

Irritam-me as pessoas que acham que os outros, só por alguma vez lhes terem posto a vista em cima, são obrigados a ajudá-los.
Com esta história da crise tenho vivido o choque de ver pessoas com mérito e trabalhadoras a perderem os seus empregos e/ou a mudarem de país para conseguirem parcas oportunidades. Assusta-me quando vejo amigos que sempre se esforçaram e mostraram valor a serem despedidos. Porque me sinto próxima, me identifico-me e cai-me a ficha de que, talvez, não seja imune a uma situação semelhante.
No entanto, no meio desta confusão que se gera no mercado de trabalho em Portugal, vejo incompetentes a reivindicar cunhas. Também se trabalha para as cunhas. Entenda-se bem isso. E eu, nunca na vida, irei desperdiçar um favor com um contacto por uma gaja que mal sabe ler e escrever, mas tirou um curso numa dessas privadas falidas e, só por isso, já pode e acontece. Esforçar-se para aprender qualquer coisinha, isso já não é com ela. E coitadinha, os cursos são caros e pardais ao ninho. Minha amiga, eu aprendi excel, espanhol e até tricot, com um livrinho daqueles da europa-américa, comprado num mercado da terrinha. Graças a isso, consegui um estágio, cuja remuneração não chegava para o gasóleo. A partir daí, também tive sorte, muita sorte. Estive no lugar certo, à hora certa. Os livros, ainda os compros, daqueles da produtividade, ou como fazer apresentações ou outra merda qualquer, que me pareça ou me digam me falta.
Tentar melhorar nunca fez mal a ninguém e para a cunha, ao contrário do que se possa pensar, também é preciso valor. Nalguns caos, valor familiar, mas valor.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Conta-me histórias daquilo que eu nao vi...

Gosto de histórias. Gosto de histórias dessas que as pessoas chamam de estórias, só porque acham que o que é obsoleto e arcaico é mais poético. Gosto de as ouvir, de lê-las, de escrevê-las. Ao final do dia, quando arrumo as contas, as contabilidades, as finanças e o Sap na gaveta e me dedico ao exercício da escrita, esse é o meu mote, contar uma história.
Gosto de vários tipos de histórias, de suspense, de amor, de crime, ou até, e passo a redundância, de História. Gosto até dessas histórias da carochinha que nos contam nos frascos de champô e nos gel de duche. Pode ser poética a promessa de um cabelo sedoso.
De todas as histórias, as minhas preferidas são claramente as de amor. Defeito de género, diria eu. Gosto, particularmente, dos amores impossíveis e platónicos. Fernando pessoa e a sua Ophélia, Firmino e a sua cólera, Anna Karenina e o seu amante. Acho que, por isso, sempre achei que um dia viveria a minha. Acho que, por isso, achei, um dia, estar a viver a minha. Até o platonismo ter dado origem ao desejo. E quando se acorda essa besta...
Essa besta que põe em causa todas as tuas teorias, todas as tuas morais, toda a tua consciência. É como a pedra que bate no vidro do carro. A marca imperceptível que deixa, pouco a pouco, com os solavancos do dia-a-dia, vai-se transformando numa teia, até ser apenas um conjunto de estilhaços. É assim que o desejo transforma o coração. Deixa-o estilhaçado.
Como mulher moderna que sou, encolho os ombros e descubro um novo mote, é só mais um. É só um no milhão. Já se passou por pior, já se conheceu tanto mais, um dia passa, é só um num milhão. Há aqueles que são "só" um num milhão e os que são UM num milhão. E é tão subtil a diferença.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

E recomenda-se

Hoje perguntaram-me como ia a minha vida amorosa e a verdade é que, hoje, neste preciso momento, está óptima. E não, isso não significa que me tenha aparecido um cavaleiro andante. Estou sozinha. Mas feliz. 
Não estou a recuperar de nenhum desgosto, não estou a tentar conquistar alguém e sinto que todos os meus capitulos, nesse campo, se encontram bem resolvidos. Hoje, se me perguntassem ontem, talvez nem tudo estivesse tão resolvido, perguntem-me amanhã e logo veremos. Hoje é esse o estado de espirito. E é de aproveitar. Conhecer alguém que me provoque urgências, correspondidas ou não, é só uma questão de tempo, que a vida é mesmo assim. Nem vale a pena procurar, a coisa dá-se, acontece e não há nada a fazer. 
Por ora, estamos bem. Eu e ela, a vida amorosa. 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Burro velho

Desde pequena que me convenci que se comunicar todas as palavras que há em mim, as pessoas vão entender-me e, sobretudo, gostar de mim. 
Elas há que usam a sua melhor mini-saia,  há as que dizem a melhor piada, há as que acreditam nessa história de prendê-los pelo estomago e as modernilhas, que se esforçam no sexo.
Longos textos, com o meu melhor vocabulário, a melhor pontuação (tem dias) em busca de validação. Acreditando, sempre, sempre, sempre que será o caminho para o encantamento.
Sempre acreditei que se disser, por palavras  bonitinhas o quanto gosto, a reciprocidade chegaria. Nunca chegou, nunca resultou, nunca foi.
E mesmo assim, não me calo.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

É o que temos

A minha vida não é perfeita. Nem sempre sei qual a melhor roupa para vestir e muito menos tenho um corpinho fotogravável. 
Nem sempre o trabalho me corre bem. Há dias em que me apetece mandar tudo à merda e tenho um sonho em que me imagino a pegar na papelada toda, atirá-la ao ar e sair, como quem diz, agora desenmerdem-se. 
Não tenho filhos perfeitos, porque nem sequer tenho filhos. Tenho a cadela mais fofinha do mundo, que, na verdade, é uma mariquinhas pé de salsa, obcecada com a minha roupa interior, já usada.
Estou sempre apaixonada. É um defeito meu. Vivo bem sozinha, sou solteira por opção e também algum azar em conhecer pessoas certas. Não sei se por gosto, se por má sorte, tenho tendência para os amores impossíveis e as pessoas  indisponíveis. 
Este blogue, tal como a minha vida, não será nunca cor-de-rosa. Terá e tem dias.
Hoje está assim para o azul bebé ou cueca ou o que for fashion, actualmente. Só porque até estou bem disposta.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Quem é que ainda nao fez like?


Isto de ter um blogue

Enquanto estive arredada daqui, fiz umas tentativas de escrever num outro blogue. Uma coisa que fosse mais anónima. Foi por lá, que escrevi, inicialmente, o post que publiquei mais abaixo.

Ontem, enquanto cuscava o facebook vi que, alguém que, estando entre os meus amigos facebookianos, não deve nem sonhar que tenho um blogue (muito menos aquele, que durou tipo 5 minutos), partilhou o meu texto.

Eu não sei se consigo descrever esta sensação das palavras que deixam de ser nossas. Com que as pessoas se identificam, gostam e partilham. Mandar bitaites para aqui é fácil. Perceber que até podem ser alguma coisa de jeito, nem tanto. Emocionei-me. Esta merda vale a pena. Tanto.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Em qualquer lugar

O meu sitio preferido não é no Porto nem em Lisboa. Não é em Paris, nem no Rio de Janeiro. O meu sitio preferido é aquela curva, de quem vem do teu ombro e vai para a tua barba. O meu sitio preferido é onde me encaixo, onde sinto o teu cheiro, onde roço a tua barba e toco a tua pele. No meu sitio preferido, não chove, nem faz sol. Não faz frio, nem faz calor. Traz-me essa brisa entre o quentinha e o fresquinha, assim em inha, porque nos vem do peito enquanto nos arrepia. No meu sitio preferido há poemas no silencio, silencio nas palavras. O meu sitio preferido és tu em mim e eu em ti. Em qualquer lugar.

The dream

Aqui há tempos, li um post da Pipoca que contava que isto das relações, afinal,  é fácil. Nao me está a apetecer ir procurar o dito post, nem me lembro já das palavras exactas. Por algum motivo (na verdade, vários), ficou-me na memória. Na altura, acho que pensei que quando se tinha um conin… perdão, um arrumadinho, tudo devia ser muito fácil. Mas a verdade é que a gaja tem razão. Esta porcaria tem que ser mais facil.
Aqui há tempos estive com 3 amigas fantásticas. Lindas, inteligentes, com carreiras de sucesso. E com a auto-estima duma ervilha. Porquê? Por causa dum gajo qualquer que as acha exigentes, carentes, ou outra treta qualquer terminada em ente, que a ele nao lhe aprovinha.
Estamos tao habituados a que as coisas corram mal ou a fazer esforços hercúleos para chamar a atenção, conquistar e pardais ao ninho, que nos contentamos com pouquíssimo. E ainda nos culpamos por esse pouquíssimo não nos chegar para as nossas necessidades. A nossa capacidade para auto-culpar é inversamente propocional à capacidade para desculpar os outros e manter ali um limbo dum somos-não-somos-talvez-um-dia-sejamos.
Acho que um dos problemas reside também na forma como encaramos as coisas. Enquanto nos afectar mais a rejeição que o coracao partido, levaremos sempre tudo de forma demasiado pessoal. E nem sempre é. Simplesmente, nos calha na rifa, um gajo que não nos corresponde nos sentimentos. E que até gosta da nossa companhia, mas não está apaixonado. E a culpa não é nossa. Isto da paixão nao depende de se ser suficientemente boa ou não. Apenas é, sem explicações, sem racionalismos.
E é por isso que, na verdade, é fácil. Porque pessoas que gostam de nós existem. E nem sempre são cromos como os que me calham a mim. Quando também lhes achamos piada e se inicia o passo com um mesmo pé e o mesmo ritmo, é muito fácil.
Nao há gaja que seja paranóica, porque se sente segura. Nao há gaja needy, porque as suas necessidades estão  satisfeitas. Não há gaja que liga demais, porque também lhe ligam a ela.
E isto, dizem, não acontece só nos filmes. Será?
 
 
 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Quem vai à guerra...

Desde que fiz Erasmus, que tenho a teoria que, no que diz respeito á relacao com o sexo oposto, a mulher portuguesa está a anos luz dessa coisa chamada emancipacao. Tanto em França, como na Irlanda, pude constatar que as gajas não têm problemas em tomar a iniciativa. Mandar uma mensagem, convidar para sair, dar o primeiro beijo. One night stands também não são um problema nem assunto tabú. Dormir num primeiro encontro, muito menos. Aqui, a mentalidade é “se quero, vou”, “se gosto, digo”, “se estou interessada, arrisco“.
Os meus amigos portugueses que já experienciaram interacções dessa estirpe com mulheres nao portuguesas, atestam a minha teoria. Segundo eles, as irlandesas são muito mais abertas que as portuguesas. No quarto, em si, talvez não, mas até lá chegar, fazem o seu trabalhinho de casa.
Também o homem português, em termos de mentalidade, me parece ser ainda muito conservador. Acham muita piadinha á abertura (salvo seja) das irlandesas, mas quando a coisa é para ser a serio, a conversa muda de figura. Por algum motivo que ainda não sei bem explicar, a primeira vez que o meu ex me tentou beijar, virei-lhe a cara. Estava mortinha por aquele beijo, mas não sei se foi por ele ter verbalizado a coisa, em vez de accionado, na hora h, virei a cara. Até me arrendi. Á segunda, já não me escapei. Meses mais tarde, o menino informou-me que esse virar de cara o tinha feito levar-me mais a serio e que foi nesse momento que decidiu que eu seria namorada e não outra coisa qualquer. Nem sonha que foi apenas uma coincidência parva…
Se por um lado dou por mim a achar que as não portuguesas é que têm razao e fazem elas muito bem, por outro, olho para as estatísticas, para os exemplos à minha volta e tenho as minhas dúvidas. Sou uma desbocada do pior e tenhotendência  para mostrar ao gajo que tenho interesse. Mas nunca fui capaz dum primeiro beijo. Tem que ser ele. E muitas foram as vezes que me arrependi de me dar á morte, com as minhas necessidades de verbalização. Ando ali num limbo, que nem me viro para um lado, nem para o outro.
Comportamento gera comportamento e femininismos á parte, a verdade é que gosto dum gajo que me abra porta, pague o jantar, ofereca flores, trate de mim como um ser indefeso. Procuro o old fashion. E se procuro o old fashion…não  deveria sê-lo, também?
 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

É mesmo isto, mas o MEC di-lo melhor que eu

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

Burro velho aprende linguas

Aqui há tempos, um desses gajos por quem tive uma adoração enquanto me tratava abaixo de cão, disse-me que eu estava diferente, mais fria. E eu, que estava em vésperas de ter o periodo, desatei num pranto, que ninguém me calava.
Agora que me passou o desequilíbrio hormonal, percebo que o resultado daágua  mole, em pedra dura, fez com que eu um dia me fartasse dos maus tratos e fosse á minha vidinha, sem olhar para tras. Mudei para aquele rapaz ? Mudei. Amor com amor se paga e ele acabou por perder o meu respeito. Na verdade, tarde e a más horas. Mudei para os gajos em geral, armada em traumatizadinha ? A verdade é que não. Esse estado de adoração, enquanto me tratam mal ocorreu, não há muitos meses, bem depois do primeiro traste, acima descrito.
Mas mudei, a verdade é que sim, mudei. Nalguns aspectos, obviamente evoluí. Mesmo que neste blogue não se note, raios vos parta, que também não deixam escapar nada. Mas sinto saudades da ingenuidade. Esta porcaria é um desses clichés que "quando eu era nova é que era", e isso, então, é que me magoa. Quando é que eu entrei nesse mesmo trilho? Quando é que deixei de ter pressa em acordar, só porque um novo dia erajá  um mar de possibilidades ?
Infelizmente, a idade não me trouxe sabedoria. Trouxe-me desgostos.Não  aprendi, fiquei mais cautelosa. Nao evoluí, fiquei mais medrosa. E isto é triste. E há dias em que nos dá para isto das melancolias lamechinhas. Vem com a idade.
 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Coisas de gaja

Não tendo sido uma dessas adolescentes que sonham com o vestido branco, a cauda comprida e os sinos a tocar, não significa que não tenha fantasiado meu happily ever after.
Que atire a primeira pedra, a gaja quenão  passou muitos dos seus aninhos (se é que já não passa) a idealizar o paizinho dos seus futuros potenciais filhos e companheiro de uma vida. Lembro-me das minhas amigas falarem em loiros ou morenos de olhos verdes ou altos espaúdos. Só mais tarde percebi que havia uma forma fisica que me atraía mais. Mas em miúda, queria lá saber se eram loiros ou magros. Não por ser menos fútil que as outras, mas porque tinha só que ser giro e pronto. Entretanto, uma pessoa amadurece, tem uns namoricos, começa a perceber as coisas com que pode ou não conviver, mas nao deixa de idealizar. Que tem que ser inteligente, que tem que ter sentido de humor, tratar-nos bem, e mais uma data desses clichés, que isto anda tudo atrás do mesmo.
O mais provavel é vir um badameco qualquer sem metade das idealizações (alguma há de ter, caraças) dar-nos a volta a cabeca e cabo da auto-estima.
Nada disto é novidade, as histórias repetem-se e aposto que, neste preciso momento, há, por esse mundo fora, umas 500 gajas a apaixonar-se pelo traste que lhes piscou o olho.
O que me anda a atormentar mesmo mesmo é que raio acontece quando se conhece alguém que preeenche os tais requisitos todos, criados depois de uma vida vivida e o tal amadurecimento inerente, mas… (Há sempre um cabrão dum "mas") é feio. Ou não se veste como apreciamos. Ou sendo inteligente, bom sentido de humor, tratando-nos bem, tem pouco ou nada em comum connosco e com o mundinho que criamos á nossa volta. Continuamos a fazer prevalecer os requisitos de uma adolescente ?
 
 
 

Solteira depois dos 30

Com as minhas amigas, basta-me ir ao talho, para levar logo com um inquérito se o talhante era giro, solteiro, novo, interessante e pardais ao ninho.
Pronto, o homem do talho talvez seja exagero, mas quase que não há homem, que tenha o infortúnio de se apresentar num raio de dois metros de mim, seja colega de trabalho, vizinho ou amigo, para elas começarem logo a ver ali um potencial alvo das minhas investidas. 'Tadinhos...

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Se não for do mal, é da cura

Tenho andado triste. A verdade é essa. Por vários motivos. Motivos que se encaixam ali uns nos outros, tornando o segundo mais difícil, porque existe o primeiro e por aí a fora.

Também me tenho sentido sozinha. São fases. Deixo os outros acreditar que se deve a esta mudança, ainda não conhecer muitas pessoas e essas tretas todas inerentes. Mas, na verdade, tenho passado muito menos tempo sozinha do que antes da mudança. A única diferença que ajuda a justificar esta solidão, prende-se com o facto de estar bastante menos ocupada no horário laboral e isso, sim, tem dado comigo em doida. Não só passo o dia a olhar para o relógio, sem ver o tempo passar, como me ponho a pensar em merdas que ganham uma dimensão astronómica, quando se tem demasiado tempo em mãos.

Escrevo isto, não para carpir as minhas mágoas. Isto é feito de altos e baixos e a fase dos altos há de chegar. Chega sempre. Escrevo isto para explicar a quem de interesse que aquilo que faz uns felizes, não anima outros.

Quem está a par das minhas agruras, tem-me dado muitos conselhos. Peço-vos desculpa, se estiverem a ler isto, eu sei que as intenções são as melhores, mas nem sempre as mais eficazes. Do leque de conselhos que recebo, há dois mais comuns e, por sinal, os que mais me irritam. Das duas, uma, as pessoas acham que tenho que me enrolar fisicamente com alguém ou tenho que ir beber copos, sendo que para muitos, para conseguir a primeira, há que fazer a segunda.

E eu acho que estas duas tarefas, se no contexto errado, podem ser das actividades mais solitárias que há. Enrolarmo-nos com alguém, só porque sim, só para tapar sol com a peneira, é mais solitário que ficar em casa a fazer uma maratona de anatomia de Grey, enquanto se come gelado da embalagem. Não contribui, em nada, para a auto-estima, estar-se com alguém, com quem não se está. No meu caso, que tenho o coração no pipi, o mais provável, seria acabar apaixonada por alguém que, à partida não me interessava e recomeçar todo um ciclo, já bem conhecido, neste blogue. Não me sinto, neste momento, minimamente preparada para actividades do coração. Sempre defendi, embora nem sempre o fizesse que, para me meter em cambalaches, preciso das minhas bases bem sustentadas. Já sou gaja com fraca inteligência emocional, preciso doutros mínimos.

Sair à noite é algo que, simplesmente, não me apetece. Não que queira ficar sozinha em casa, com peninha de mim própria, pelo contrário. Quero passear, conversar, conhecer. Não tenho vontade de sair com quase desconhecidos, com quem não conseguirei desenvolver uma conversa, dado o volume da música e do álcool. Por esta ordem.

Por isso, informo-vos, sair à noite e/ou trocar fluídos com sexo oposto (no meu caso) não é a cura para todos os males. Ás vezes, simplesmente, tem que se passar por estas fases, só para chegar à bonança.

 

É preciso amar o desamor

Ontem descobri este texto, escrito, diz, em 2007. E eu que o achei tao 2014.

"Deveremos tratar amorosamente o desamor, o desmame de um afecto. Cuidadosamente, como se fosse um vestido de cebola. O luto, o tirar e pôr a pele de lagarto, o retratarmo-nos, o sermos longe, distância, ontem o Pedro perguntava-me se as coisas que estavam muito longe eram muito pequeninas, viemos a filosofar pelo comboio, não, não são pequenas, apenas estão longe e a distância faz isso ao tamanho das coisas, das pessoas, torna-as pequenas, pontos na paisagem, lembro-me que sempre que uma antiga namorada me contava, ou eu vinha a saber, que ela tinha reconstituído a sua vida, o seu afecto, passava por mim uma suave sensação de desconforto, uma angústia, um simulacro de dor. E nada mudava com as circunstâncias. Não interessava nada se era eu ou ela que tinha terminado a relação. Não há protagonistas na dor de corno, no luto de um afecto. Lembro-me dos meus brinquedos que tinha deixado de usar, de lhes dar vida. Se íam parar á mão de um irmão logo eu descobria que ainda eram meus, que ainda queria fazer imensas coisas com eles, reinventá-los em mim. Não que as pessoas sejam construções de lego, ursos de peluche, carros de polícia, actions men's. Só que o facto de as amarmos como antes amámos as coisas, os brinquedos, desmonta-nos a nós em peças de amar, de odiar, de enciumar, de alindar. Não me importo com a minha dor de corno. Até lhe acho graça, penso, enquanto distraidamente coloco a sopa passada dentro dos copos de sumo. É preciso amarmos o desamor, laboriosamente descascar a cebola, rirmo-nos de nós mesmos. A poesia e a luz que irrompe das pequenas maquinetas que somos,assim nos pede. "

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Still learning

Amiga: O rapaz era mesmo giro e mesmo simpatico. Era bom para ti.
Eu: Naaa... Era muita areia para o meu camiao.
Amiga: Nunca! Nem que tenhas que dar duas voltas.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Giras que dói

Nos últimos meses, algumas das minhas amigas recomeçaram novas relacoes amorosas. Umas que vinham derelações  abusivas ou desastrosas, outras solteironas, ja há uns tempos, todas com histórias e desenvolvimentos diferentes, mas todas com dois factos em comum, as coisas estão a correr bem e ficaram (nalguns casos, ainda) mais giras. Juro.
Esta mudança estética fez-me tirar duas conclusões.
Em primeiro lugar, está provado que o sexo faz um bem à pele que é uma maravilha.
Em segundo lugar, a auto-estima é, dúvidas houvesse, uma arma poderosa. E é aqui que a porca torce o rabo. Contra mim falo, que tambem eu já vi, em vários campos da minha vida, tanto profissionais, como pessoais, a minha auto-estima quase se destruir, por causa de outros, assim como, também nos dois campos, já me deixaram a sentir que era a maior da minha rua. Sabendo que o ser humano é um bicho com capacidades que a razão desconhece, boas e/ou más, assusta-me esta influência capaz de se fazer notar de forma física. Em contraste com o poder da auto-estima, a necessidade de validação é lixada. E está cá. Mais presente nuns que noutros, mas anda por aqui e impacta, em grande escala, a nossa vida. E a nossa imagem.
 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Depende

Confesso que tenho tido várias dúvidas sobre se devo ou não voltar a este espaço. Tenho andado meses, acho que até, talvez, um ano, com ameaças de deixar isto de vez ou voltar de vez.
Criei este blogue dois meses antes de me mudar para a Irlanda e, em muitos momentos, foi o meu porto seguro. Por outro lado, como tudo aquilo que implica uma exposição, também me deixa, muitas vezes, vulnerável, o que, em tempos idos, me trouxe algumas agruras.
Mas, aquilo que me atormenta mesmo, mesmo, é a possibilidade de voltar ao mesmo. E voltar ao mesmo tem dois lados duma mesma moeda.
Nos últimos dois meses, mudei de casa, de cidade, de entidade empregadora e de funções. Estando no mesmo país que me acolheu há 3 anos e meio (já ?), encontro-me num local totalmente diferente, a desempenhar funções que nunca tinha feito na vida e longe dos amigos que fui fazendo nos vários pontos que habitei.
Depois de um Erasmus, uma mudança para a irlanda e de, agora, uma mudança cá dentro, aprendi que quando se muda, tudo o que muda, efectivamente, é paisagem.
Mantém-se o amigos, mantém-se os valores, as competências, os traumas, asinseguranças  e os vícios. Na essêncianão  se muda. E se é bom perceber que nao estupidifiquei (conheço casos), é assustador perceber que se cometem erros uma e outra e outra vez. Que se procura o mesmo. Que se chora o mesmo.
Na minha vida académica, vários dos meus professores, o das ciênciasnão  exactas, diziam-nos que a melhor resposta para uma qualquer incógnita é um "depende". O sucesso está no desenvolvimento e no argumento.
Neste momento, é assim que se encontra o meu blogue, o meu trabalho, a minha vida. No depende. Falta o desenvolvimento.
 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Se queres acasalar

Tem a depilação sempre em dia. Usa o corrector de olheiras. Pinta as raízes. Não uses as cuecas do fundo da gaveta. Acredita. Mostra-te segura. Sorri. Mostra-te feliz. Mostra-te mordaz. Não exijas. Espera. Não escrevas. Sê concisa. Não telefones demasiado. Ou se estás triste. Ou prestes a ter uma crise hormonal ou emocional ou esquizofrénica, porque de manhã lhe pediste um beijo e à tarde o quiseste estrangular. Conta até dez. Dorme sobre o assunto. Não sejas vulnerável ou dependente. Não mostres quem tu és ou que precisas ou o que queres. Fecha-te. Finge. Mata esse bocadinho de ti, o que não conquista. Espera que aceite o que não és ou que não descubra o que alguém definiu como não sendo aceitável. E então, sim, acasala.


Voltei. Sem melhoras, mas de volta.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Untitled

Se te escrevesse hoje, dir-te-ia que não estou triste. Que não mais ficarei triste. Cada vez me pergunto mais o que é isso do happy ending. A minha avó enganou-me. Não encontro, à minha volta, o happily ever after. Nem nos filmes que, na verdade, ficam a meio, numa cena qualquer dramática ou heróica e não contam o resto. Viver em consciência com as nossas decisões, dizes tu, é a verdadeira felicidade. Decidi a minha e escolhi o meu fim, o nosso fim. O nosso tempo parou naquela noite, naquele momento. O feliz. O intenso. Dessa forma, escolho o meu final feliz. Escolho guardar-te sempre, marcar-te bem, trazer-te em mim. Escolho fugir à realidade, ao dia-a-dia, às contigências que, um dia, trariam os meus pés de volta ao chão. Escolho o beijo na testa, as mãos dadas, as palavras doces.

Vou guardar-te bem.

 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

800 quilómetros em dois dias


Estou tão cansada que não consigo dormir.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Constatação do dia

Volta e meia, pego num blog que goste muito e leio de trás para a frente, que é como quem diz, vou lá aos primórdios blogosféricos, ler aquilo tudo, desde o primeiro posts.

Não há blog e blogger que não melhore depois dum desgosto.

Isto, afinal, serve para alguma coisa.

sábado, 5 de abril de 2014

90 happy days

Sem saber ler, nem escrever, já cheguei ao nonagésimo dia de felicidade. Ou seja, como vos expliquei neste post, durante 90 dias tirei uma fotografia a algo que me fez feliz.

Não tem sido fácil. Primeiro, porque nós somos pessoas de rotinas e as coisas que nos fazem felizes, repetem-se muitas vezes. Estamos várias vezes com os mesmo amigos, jantamos nos mesmos sitios, comemos a mesma coisa, bebemos a bebida favorita e a cadela também é sempre a mesma, felizmente. Ou seja, se nos primeiros 20 dias a coisa é fácil e nos sentimos numa espiral de descobertas, sobre o que nos faz felizes, entramos nesse cliché dos pormenores é que contam e tamanha epifania, nos faz sentir as maiores, depois a coisa já exige alguma criatividade.

Segundo, não se tem 90 dias felizes seguidinhos. Eu não tive. Aliás, curiosamente, a altura que escolhi para iniciar o desafio não poderia ser mais irónica. Porque por motivos vários, foi um daqueles períodos tramados. E por isso, ter chegado ao nonagésimo dia tem outro sabor. Em dias em que me sentia miserável, consegui encontrar qualquer coisa. Epá, e isso ajudou-me a ir mantendo as minhas forças. Houve dias em que inventei. Quando se tem uma rotina trabalho-casa-trabalho, ás vezes, não se encontram momentos dignos de registo. Até porque, ás vezes, as coisas que nos fazem felizes não se fotografam. Como um telefonema, uma mensagem e coisas do género. Mas nos dias em que inventei, chegáva-me o facto, para me sentir feliz. E depois, no tal instagram há "likes" e "followers" e comentários, suficientes para arrancar um sorriso.

Agora, venham de lá os últimos 10 dias e, aqui em baixo, a minha fotografia preferida, so far.


 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

It's me, it's me!

segunda-feira, 31 de março de 2014

No (des)amor e no trabalho


"Um dia, é que ele(s) vão ver, vão sentir a falta, vão lembrar-se que afinal eu é que era, sou insubstituível, bla bla bla pardais ao ninho", mas quando vamos, quando chegamos a esse patamar do "move on", a verdade, verdadinha, é que queremos lá saber. 

segunda-feira, 24 de março de 2014

Deu-me isto...



"It is the man who must go." - Intimicy de Habif Kureishi

domingo, 23 de março de 2014

Vivendo e aprendendo

com o tempo, vai saber tratar de um desgosto como se trata de uma gripe. vais sentir que a dor vem aí quando sentires o corpo dorido e a alma fraca, vai perceber que a fragilidade não é mais do que um estado temporário e que o cansaço é somente o corpo a pedir descanso da realidade.

Vais começar a saber sofrer, sem dramas nem ameaças, entender que é tudo temporário, acontece a toda a gente e só requer tempo e mimo. vais (e isso é muito importante, vai por mim) saber que os delírios febris são temporários, que não devem ser levados a sério nem sequer alimentados. vais conseguir, nessa altura, nesse momento em que tens vontade de virar um monstro, controlar-te e a calar-te. morder a almofada e esperar que o tempo faça efeito. o tempo e o benuron, carinho dos amigos, seja o que for, que te dirão "espera vinte minutos, já passa, a dor já passa" e passa. com o tempo vais conseguir também relativizar, já tiveste gripes piores e passaram, been there, done that, é só mais uma, é só uns dias, umas semanas, vá. vais até comparar com a ultima vez, aquela em que foi muito pior, não foi tão mau, é diferente, afinal não é.

e no rescaldo, quando desentupires, expurgares e desintoxicares, vais perceber que talvez (talvez) a culpa também pode ter sido tua. avisaram-te que o colega estava doente, para não andares com o cabelo molhado e para te alimentares como deve de ser.

E vais descobrir que estás safa disso de sentir. até o corpo doer outra vez e a alma fraquejar.

 

Roubado, descaradamente, ao Danos Colaterais

sábado, 22 de março de 2014

Soma e segue

E não é que me saiu mesmo o euromilhões? 15 eurinhos. A sorte ao jogo continua...

quinta-feira, 20 de março de 2014

Assertiva

Eu tenho um problema com a assertividade. Com essa coisa de me defender, de fazer notar, de me impôr, exigir respeito ou quaisquer outros limites do razoável. 
Eu não me zango. Não gosto de me zangar. Não gosto de levantar a voz e abstenho-me de argumentar. 
Não me zango, porque não suporto a ideia de zangar. Do outro lado se zangar. De não me aprovar. 

Mas depois, quando rebenta a bolha...

quarta-feira, 19 de março de 2014

O meu instagram

Acho os posts de fotos do instagram, nos outros blogues, uma seca.

Mas como sou especial de corrida e descobri, através deste meu novo hobbie, o meu verdadeiro talento, no meu vai ficar muita giro. A minha foto preferida, so far:


Assim vai a vida

Hoje caí. Espalhei-me ao comprido, ou melhor, de joelhos no meio do supermercado. Tive esperanças que ninguém visse. Vãs. Doeu.
No sábado, ia tendo um acidente daqueles. Ainda não sei se tive e ninguém me avisou. Ia a 100km/hora. Dois dias depois, ainda não acho que o carro vá travar a tempo. Dica para quem vai numa auto-estrada e vê que os carros à frente se vão enfaixar: sinais de luzes encadeiam e não ajudam à tarefa de desviar do cabrão do taxi que decide, depois das raias da saída, que afinal quer voltar para a auto-estrada, enquanto se tenta, simultaneamente, não bater no carro que nos vai a ultrapassar, nesse preciso instante. É fodido. Valha-nos o tal do ABS, que depois duma barulheira infernal, trava. Acho que tem um sensor. Para parar só a um milimetro do cabrão do taxista. Só para dar emoção.

terça-feira, 18 de março de 2014

Só para me armar em mete-nojo

No Domingo, a minha equipa, eu e um amigo, ganhou o trivial pursuit. Foi a primeira vez que ganhei o Trivial Pursuit. Sem grande esforço, devo dizer. Foi fixe.

Ando cá com uma sorte ao jogo. Ui, nem vos conto.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Novos conceitos

Ao contrário do que eu pensava, o novo acordo ortográfico, não alterou só a forma como se escrevem certas palavras, parece que alterou, também, o significado de algumas. Ou uma, vá, que ainda não tive tempo de confirmar as outras.

Desde que vivo na Irlanda, deixei de ter qualquer contacto com a realidade televisa portuguesa. Isso faz com que desconheça as Fannys, as Bernardinhas e as Cátias Palhinhas desta vida. Vejo qualquer coisa num ou noutro blogue, um ou outro post no facebook, mas volto à minha vidinha e não se fala mais no assunto.

Felizmente (ou talvez não), parece que sou a única portuguesa com tal acesso vedado. Entre cenas legais, como uma parabolicazinha da TVcabo (ou Zon ou lá que modernice lhe chamam agora), streaming na internet e VPN (estou tão culta, informaticamente falando), não há português, na Irlanda, que não veja o telejornal e a telenovela, todos os dias. E isto dá-lhes uma bagagem de cultura, que nem vos conto. Um mundo novo, para mim. Um mundo.

Foi assim que, ontem, descobri que o significado de cantora, em português, se alterou. Fui confirmar ao Priberam e tudo. Já não é aquela que sabe cantar. Também pode ser, graças a Deus. Mas agora é "aquela que canta ou sabe cantar". Grande falha, a do Priberam, que não explica que ter participado no Big Brother (com ou sem segredos), estar disposta a usar um decote sem soutien (não é preciso ter mamas boas, atenção. Podem bater no umbigo. Só é preciso mostrá-las e, já agora abaná-las, enquanto se grita, ups, canta, que não é para tocar-lhes) ou uma coisa qualquer cujo o nome eu não sei, mas é assim tipo um fato macaco dourado colante, que não só revela as mamas, como todas as saliências, protuberâncias e rachas do corpinho que Deus lhes fez, que era o que se arranjava. Felizmente, as rachas não são da tal bilha do rapaz. Mas o resultado também é explosivo (depois duma noite a pôr esta cultura em dia, não me peçam trocadilhos mais elaborados). Deixo-vos a foto.

Também, queria muito, falar dos pequenos que daçam lá atrás, mas tenho que correr o Priberam primeiro. Não encontro palavras.

 

segunda-feira, 10 de março de 2014

Desaparecida (e) em combate


Durante os tempos que estive sem escrever, tenho passado por uma das lutas mais dificeis da minha vida. Se calhar, daqui a uns tempos ainda me vou rir disto tudo e celebrar a minha ingenuidade sobre o grau de dificuldade da coisa. Espero que sim. Conto com a bonança. Tem que haver bonanca depois de injustiças, doenças, costas que não  mexem, dentes que se arrancam, cabrões dos antibioticos irlandeses que me lixam toda ou puta das minhas alergias que passaram a ser geográficas.

Emagreci. Uns 6 kilos. Nao acho que se note muito, mas hoje até fui comprar umas camisinhas e diz que tinham que ser o número abaixo. Gaja feliz.

Os dias tem-se passado assim. O universo, esse grande trapaceiro, até tem sido gentil. No mesmo dia, tira dum lado e vai dando do outro e eu, espero, ansiosamente, por um período em que os dias sejam menos turbulentos, menos emotivos e um bocadinho, de nada, mais felizes.

Fechei uma grande porta da minha vida. Ás vezes ainda me dá vontade de ir lá abri-la. Lá está esta puta desta inteligência emocional que me faz esquecer o que mereço, ou a dignidade ou a puta que pariu que me devia fazer  lembrar, e o que merecem os outros, o quão dignos são, honestos e essas balelas todas que dizemos quando gostamos, nao somos correspondidas e se parecem esquecer o que é isso da outra parte ter sentimentos. Nem é brincar com a coisa. É mesmo esquecer o que custa, não entender o quão se pode gostar e quão se pode sofrer com isso. O quanto se odeia por tanto se gostar.

Em combate. Era o que responderia se algum dia me desse para responder aquelas perguntas do facebook "como estas hoje?" ou lá o que é.

Em luta. Sem limpar armas. Venham. Eu aguento.

 

 



domingo, 9 de março de 2014

O Euromilhões

Quando estava em Portugal, passava a vida a querer ir para fora. Agora, estou fora e, volta e meia, quero voltar. Sim, senhora, isto é muito bonito, já vi que isso dos portugueses não serem produtivos é uma tanga, já vi que bom tempo, temos em Portugal e que não há bolo a abarrotar de natas, chocolates, kitkats e M&Ms que bata o nosso pastel de nata. Agora já podemos ir embora, pode ser?

Acho que o que eu passo a vida a querer é que algo aconteça. Mas assim em grande, tipo euromilhões da nossa vida. Ou da minha, que com o mal dos outros posso eu bem.

Já tive momentos em que, sem jogar, me saiu o tal euromilhoes da vida. Quando comecei a trabalhar, por exemplo. Aquela merda, que não é assim tão diferente da de hoje, fazia-me feliz, a ponto de me causar taquicardias. Quando comecei a namorar. Nem eu, nem eles (dois e um de cada vez) tinhamos um tusto, mas eu estava tão apaixonada e tão correspondida que me sentia a pessoa mais sortuda do mundo. E era, que isto de se encontrar uma ligação e apaixonada não é para todos. A coisa não durou, assim como o dinheiro do euromilhoes também não dura sempre (mesmo que dure mais que a vida dos seus beneficiários).

E o problema deve ser esse. Devo ter gasto a minha sorte toda muito precocemente. Este ano, até agora, o momento de maior sorte que tive foi ganhar uma garrafa de vinho, num sorteio, no dia dos namorados. Putaquepariu, sorte ao jogo... Lá se foram as esperanças em dia tão fofinho

A modos que é isto. Há falta de trabalhar naquilo que gosto mesmo (há dias em que gostava de ser uma escritora brilhante, noutros enfermeira, noutros pintora e outras coisas que nunca almejei na vida, mas se é diferente do que faço, já marchava) e há falta de mouro minimimamente interessante, capaz de dizer duas palavras (já nem peço as virgulas), pelo sim, pelo não, passei a jogar no dito sorteio dos excentricos. Como li algures num facebook desta vida, o dinheiro não compra felicidade, mas compra nutella. É (quase) o mesmo.

 

Não há amor como o primeiro


Não tenho escrito e faz-me falta. 
Ando distraída com as outras coisas, outras formas de comunicações, disparates que nem às paredes confesso, alergias a medicamentos, a morrer da cura senão do mal, problemas que me inventam, problemas que eu invento. 
Não tenho escrito e faz-me falta. Tenho fototografado, editado, rendida a esse mito de que uma imagem vale mil palavras. Não tenho escrito, mas faz-me falta. As imagens não arrumam ideias, não arracam dores do peito e essa terapia dos "likes" não dura o mesmo. 
Não tenho escrito, porque não podia, não devia, não queria.
Mas faz-me falta. Eis-me de volta. De caminho ficam as ditas imagens que me distraíram das palavras, o meu verdadeiro amor. 


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Tanto.

Cada dia penso em ti. Menos cada dia, mas ainda.
Sinto-te distante, sinto-me distante. Talvez seja dos olhos que não vêem...
Diz-se que se deve ter cuidado com o que se pede. Eu pedi muito para me sentir distante e indiferente. Não se pode ter tudo, diz-se também, e a indiferença não acompanha a distância.
Estou triste. Não por isto. Por outras coisas que se afiguram prioritárias. Piramide de Maslow sem inversões. Não se pode ter tudo e, às vezes, não se tem nada. Enche-me a cabeça e esvazia-me o peito. Estou triste, não por isto, mas também por isto. Faz-me falta o abraço. Tanto. O do autocarro. Ou o do barco. Um desses, só quero desses. Tanto.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

À geração futura

Um dia a tua avó vai contar-te a história da carochinha. Vai convencer-te que aquele, o da carochinha, com o tostão, à janela, é o teu objectivo de vida. Convence-te que só te sentirás completa no dia que procriares em relação duradoura.

Um dia, vais desconfiar da tua avó. Vais achar que há outras coisas, vais querer estudar, realizar-te num trabalho das nove às seis, vais querer estar com os amigos. E vai chegar-te.

Noutro dia, sem que o descubras, vais ter o teu corpo a produzir hormonas, dopaminas, estrogénio e vais sentir um cabrão de um instinto que te fará partir em busca do macho alfa. O coktail de hormonas far-te-á sentir feliz, ou triste. Vais congratular-te por teres lido Eça e vais poder descrever as sinapses do teu corpo. Apertos no peito, falta de ar, vais flutuar ou vai doer. Imensamente. As putas das hormonas convencem-te que o mundo vai parar.

Se tiveres mais aptidão para as artes ou para as contabilidades, certifica-te que lês Darwin. E de caminho, lê o Francesco Alberoni e esses estudos americanos que provam que se fizeres não sei o quê uma vez por semana, és mais produtiva ou porque é que gostas de determinadas pessoas ou porque é que comes chocolates. Há para todos os gostos. Procura bem e encontras aquele que prova essa verdade que te convém.

Quando as hormonas te atacarem, não te vai servir de nada. Não saberás o que é dopamina, não saberás que é o instinto e vai doer de igual modo, como se não houvesse amanhã. Mas dar-te-à jeito quando fores para os copos com os amigos. Fazes um brilharete, convences que tens uma inteligência emocional do camandro e ocultas o que fizeste ao Joaquim Manel, na véspera.

E sobretudo, quando a coisa acalmar e te toldar menos a vista, vais-te lembrar que isto é só Natureza. E nem sequer é humana.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Do que este blog precisava

Era que eu me apaixonasse.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Happy days

Continuo na minha saga de ter 100 dias, seguidos, felizes. Sem dúvida, a coisa é interessante. Chego à conclusão que gosto mesmo é de tirar fotografias a objectos inanimados. Gosto muito de pessoas e devpaisagem. Não as sei fotografar. Uma chávena de chá, uma jarra diferente, um cigarro a arder num cinzeiro, isso sim apela à minha lente.

Continuo a cuscar o que faz os outros felizes. Vê-se muita coisa. Fotografias muito giras, fotografias assim-assim, fotografias nada de especial, mas até agora, aquela que realmente me marcou foi a duma pequena. Na verdade não era uma, eram duas fotografias. Um antes e um depois. Da depilação.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Can you be happy for 100 days in a row?

Resolvi aderir ao desafio 100happydays.com, que consiste em tirar fotografias, todos os dias, durante 100 dias, a algo que nos tenha feito feliz nesse dia. O meu principal objectivo era começar a tirar mais fotos, agora que tenho um desses telefones xpto, ao qual só falta fazer torradas.

Já tirei 10 fotos. 10 dias. E devo dizer que a experiência tem sido muito interessante, a vários níveis.

Primeiro, fui cuscar o que deixa os outros felizes. Fui cuscar o que andavam outros a publicar. Chego à conclusão que a comida faz as pessoas muito felizes. Depois, crianças e animais, também. Unhas pintadas é coisa que também se vê muito. E eu, que ando a tentar fazer da coisa uma cena mais artistica, não sou diferente. Só me faltam as unhas. Mas também têm andado roídas, por isso, é bem provavel que também chegue o dia que me façam feliz.

Diz que 70% das pessoas não conseguem chegar ao fim do desafio. Desistem a meio dessa coisa de todos os dias ter algo que as faça felizes. E eu, devo dizer, após 10 dias, que realmente a coisa não é fácil e já tive que me pôr a inventar. Acho que esse é o segundo ponto interessante do desafio. Isto faz com que andemos mais atentos a pormenores, para termos sempre a camera pronta. Faz com que nos forcemos a fazer algo por nós, nem que seja comer uma colherzinha de Nutella. Já me pôs a equacionar a possibilidade de comprar flores a mim própria. Porque flores me fazem feliz, eu acho que, do ângulo certo, pode dar uma foto fixe e não sendo algo que me ofereçam amiúde, porque não fazê-lo eu, a mim própria? Finalmente, também faz com que ponha outro esforço na coisa, para que, o que quer que seja que me faça feliz, tenha um aspecto agradável o suficente para ser digno de uma fotografia. Tem valido a pena. E quando se tem a cadela mais fofinha do mundo, isto dos 100 dias, é canja. É impossivel não ficar feliz quando se tem uma cauda quase a fazer levantar voo, quando se chega a casa.

 

Happy days!

 

domingo, 12 de janeiro de 2014

Eu sabia!

Colega irlandesa - hoje, não estou tão cansada. Tomei um duche de manhã, acho que me despertou.

Eu, ingenuamente - costumas tomar duche à noite?

Colega irlandesa, como se do mais óbvio se tratasse - não. Não tomo banho todos os dias.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Talvez seja por isso

Eu, que de tanto ver, ouvir e viver, sou provavelmente uma das pessoas menos crentes nisso das relações e do amor, recuso-me, preponderantemente, a acreditar num amor não exclusivo.

E não digo isto por achar que há posse numa relação. Nada disso, por muito que eu veja pessoa incapazes de ser fiéis e ainda assim, jurarem, até a si mesmas, amor eterno pelo outro, não acredito nisso. Ou, talvez, não seja aquilo que quero para mim. Sou descrente porque acredito que tudo tem um principio, meio e fim e que a minha avó me enganou com os seus finais "felizes para sempre" e porque, infelizmente, sei o que quero para mim, mas nem se pode esperar o mesmo do outro.

Eu quero esse amor que nos corta a respiração, que faz tremer as pernas, que nos tira a fome, que nos tira o discernimento. Não quero o que está mais à mão, o que dá mais jeito, o que é mais cómodo.

Quero aquele que nos faz acreditar que nada mais há no mundo, que nos interrompe o pensamento nos momentos mais inoportunos, que nos dá uma sede insaciável do outro, de o ter por perto, de conhecer mais, de abraçar mais. Não quero o assim-assim, o não é assim tão mau ou que tem que ser.

Acredito num amor tão avassalador que não dá espaço para isso da exclusividade ou não exclusividade. Que nem nos deixa colocar questões tão filosóficas ou sociológicas.

Deve ser por isso que estou sozinha.