segunda-feira, 25 de agosto de 2014

The dream

Aqui há tempos, li um post da Pipoca que contava que isto das relações, afinal,  é fácil. Nao me está a apetecer ir procurar o dito post, nem me lembro já das palavras exactas. Por algum motivo (na verdade, vários), ficou-me na memória. Na altura, acho que pensei que quando se tinha um conin… perdão, um arrumadinho, tudo devia ser muito fácil. Mas a verdade é que a gaja tem razão. Esta porcaria tem que ser mais facil.
Aqui há tempos estive com 3 amigas fantásticas. Lindas, inteligentes, com carreiras de sucesso. E com a auto-estima duma ervilha. Porquê? Por causa dum gajo qualquer que as acha exigentes, carentes, ou outra treta qualquer terminada em ente, que a ele nao lhe aprovinha.
Estamos tao habituados a que as coisas corram mal ou a fazer esforços hercúleos para chamar a atenção, conquistar e pardais ao ninho, que nos contentamos com pouquíssimo. E ainda nos culpamos por esse pouquíssimo não nos chegar para as nossas necessidades. A nossa capacidade para auto-culpar é inversamente propocional à capacidade para desculpar os outros e manter ali um limbo dum somos-não-somos-talvez-um-dia-sejamos.
Acho que um dos problemas reside também na forma como encaramos as coisas. Enquanto nos afectar mais a rejeição que o coracao partido, levaremos sempre tudo de forma demasiado pessoal. E nem sempre é. Simplesmente, nos calha na rifa, um gajo que não nos corresponde nos sentimentos. E que até gosta da nossa companhia, mas não está apaixonado. E a culpa não é nossa. Isto da paixão nao depende de se ser suficientemente boa ou não. Apenas é, sem explicações, sem racionalismos.
E é por isso que, na verdade, é fácil. Porque pessoas que gostam de nós existem. E nem sempre são cromos como os que me calham a mim. Quando também lhes achamos piada e se inicia o passo com um mesmo pé e o mesmo ritmo, é muito fácil.
Nao há gaja que seja paranóica, porque se sente segura. Nao há gaja needy, porque as suas necessidades estão  satisfeitas. Não há gaja que liga demais, porque também lhe ligam a ela.
E isto, dizem, não acontece só nos filmes. Será?
 
 
 

10 comentários:

Pedro Corrêa disse...

A minha predilecção vai para gente que gosta de nós como somos numas coisas, mas depois quer que sejamos como gente que não somos noutras... e de preferência com o corpo de atleta que não temos. E cobra-nos o sermos ciumentos, mas alimenta o perfil de não posso viver sem ti que é nosso. Queres relação simples? Arranja alguém de quem não gostes. Ah... cansei!

clara disse...

Mas sera que tem mesmo que ser sempre assim, ou somos nós que alimentamos essas relacoes disfuncionais?
Nao quero ninguem de quem nao goste. Para isso, estou bem sozinha...

Pedro Corrêa disse...

Concordo com última parte. E cada vez percebo melhor que não darei também para peditórios que já dei. E tive que levar com o balde de água gelada na cabeça. :)
Quanto ao resto, acho que somos parecidos, vulneráveis e realmente apaixonados, acreditamos no amor e somos capazes de amar, quando muitos são até capazes de gostar. Tem gente que gosta do nosso amor, sem gostar de nos, e quer esse amor, sem nos querer. Porque também não é assim coisa que toda a gente sinta por alguém...
Mas depois, querem os privilégios sem as chatices, a paixão, sem o ciúme, como se fossemos os (a)normalzinhos que lhes dão comer à boca...
Ou amo ou sou indiferente... não sei ser as duas coisas. E não aprecio ser amado com indiferença. Nem acho que seja amor nem nada, sequer.
Lemos muitos livros, Clara... Os livros exigem atenção, dedicação, tempo. Vivemos numa sociedade em que o prazer é imediato e sem esforço. Em que se salta da serie, para o filme, para o reality show, para a rua. Em que já não é suposto exigir nada a ninguém. Em que tudo pode ser suspenso e pegado mais tarde...
Naturalmente, não somos assim. E somos cada vez mais raros, acredita. Mas sempre é bom saber que não estamos sós. Ainda que não juntos.

clara disse...

Wow! adorei este comentario, Pedro! e tens muita razao quando dizes "Tem gente que gosta do nosso amor, sem gostar de nos, e quer esse amor, sem nos querer.". É tao verdade!

Ana A. disse...

Eu também não tenho respostas para essas perguntas. Mas tal como tu quero acreditar que as relações têm de ser fáceis.
Sabes aquela sensação de que tudo flui na tua vida, quando tomas uma decisão, seja mudar de emprego, comprar uma casa, fazer uma viagem etc. Acho que nas relações também deve existir. O problema é que nós fomos muitas vezes educados com a crença de que as coisas para valerem a pena têm de ser ganhas com esforço. E isso não é evrdade. Há alturas em que as coisas fluem sem esforço.
É quase como aquele mantra que as coisas boas vêm com o tempo e as melhores de repente.

clara disse...

Talvez seja a definicao de esforco que esta errada. Nao tenho dúvidas que para sermos apreciados, temos que mostrar apreco. E que as pessoas, como tudo na vida, conquistam-se pouco a pouco. Se o meu trabalho flui é porque faco um esforco para utilizar as minhas capacidades, o melhor que posso. A diferenca é que esse esforco nao me causa, necessariamente, dor. Acho que essa é a confusao que tendemos a fazer. Mea culpa.

Júlia disse...

Gostei muito do post. Parece que passamos todas pelas mesmas fases e problemas.

redonda disse...

Pela minha experiência (que não é tanta como gostaria que tivesse sido) relações difíceis podem significar que são as erradas, mas servem para depois sentirmos melhor as que são certas e as certas serão muitas vezes fáceis.

clara disse...

Júlia, parece que sim, que nao sou só eu ;)

Talvez tenhas razao, Redonda, talvez tudo tenha um propósito. Nem sempre é facil ter essa perspectiva...

Rita disse...

Encontrei o blog por acaso e gostei, obrigada pelos belos textos e reflexões. Quanto às relações fáceis, não creio que existam nessa plenitude de simplicidade completa. Pessimismo? talvez. Só que as pessoas são inerentemente complexas e a complexidade é dura e difícil. Mesmo as "pessoas simples" têm profundezas. E esta questão não se restringe às relações amorosas, há um prolongamento nas relações familiares ou de amizade. Podemos mostrar-nos de sentimentos nús perante um amigo, um irmão, podemos dar a vida se preciso for, podemos confiar cegamente mas há alguém que consiga dizer que determinada pessoa sempre foi perfeita consigo? somos humanos e todos falhamos. A "facilidade" está na capacidade de aceitar as falhas dos outros. E as nossas também. Só quando essa aceitação for verdadeiramente intrínseca e completa para as duas partes, a relação pode ser "fácil". Até lá vamos progredindo e às vezes é mais difícil, às vezes mais fácil, porque vamos aprendendo. Mas como não acredito na perfeição, a teoria da pipoca, para mim, fica-se pela superficialidade. Ainda assim, admito que talvez seja eu a "difícil".