segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Quando achas que pior é impossível

Vem algo ou alguém que te prova o contrário e que nada, mas mesmo nada, é impossível.
Também eu entrei nesse desafio de listar os 10 livros que me marcaram, no facebook.
Costumo ignorar muitos desses desafios, mas bolas, era sobre livros e eu gosto tanto de livros. E perco poucas oportunidades para me gabar que leio muitíssimo. Leio 3 a 4 páginas por dia, até se me comecarem a trocar os olhos, mas raiosparta, que já é muito acima da média. 
Também eu recorri aos clichés do Princepezinho e do Gabriel Garcia Marquez, mas caraças, nao há como fugir a certos clássicos.
Alguém escrevia num post, que isto dos livros iria servir para fazer uma limpeza ao seu facebook e que apagaria toda e qualquer pessoa que incluísse, na sua lista, Paulo Coelho. Achei que tinhamuitíssima  razao. Nada tão mau me teria ocorrido. Até hoje. Até alguém ter misturado o Princepizinho e O Diario de Anne Frank com esse top de vendas que foi, nada mais, nada menos, que As (famosas) sombras de Grey. Tive tanta vergonha alheia…

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

No fundo, no fundo...

" Espero que te arrependas.

Que, em pesadelos, te penetre a alma até sangrares e que grites o meu nome até acordá-la e fiques tao rouco que não consigas tecer uma justificação plausível.
Que te dificulte o sono, o descanso, a paz.
Que a minha cara te persiga no meio da multidão, várias vezes por dia, tantas quanto mereces, por minuto portanto, melhor, por segundo, por cada pulsação que senti com a tua proximidade, por cada desejo não concretizado, por cada vida não vivida contigo. Que sintas a minha respiração na tua nuca enquanto esperas o metro, o autocarro, no transito, no trabalho. que o meu nome apareça nos livros que lês no silencio da noite, que a minha voz apareça no rádio, no coro de uma música qualquer.
Que pressintas o meu corpo colado ao teu quando estiveres no duche, o meu abraço por trás quando fizeres a barba, que percebas que estou a descobrir a que sabe a tua língua quando estiveres no meio de uma reunião, quando te pedirem para falar de coisas sérias e confusas e que te engasgues com todo o meu desejo e vontade de te sufocar de sentimentos. que morras ali mesmo, mil vezes e que ressuscites para te ter mais uma vez em sonhos.


Que sejas feliz com ela. a sério."


Roubado, descaradamente, à Sophia do Danos Colaterais

 

 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

I'm falling in love#2

Só uma amostra:
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

I'm falling in love

Nao foi amor à primeira vista. Comigo nunca é. Preciso de conhecer as vicitudes, os vícios, os defeitos - podem ser tao apaixonantes, os defeitos.
Não foi um começo fácil. Pelo contrário. Ia e vinha, ao sabor do vento, da vontade ou do meu próprio humor. A verdade é que nem sei.
Mas fomo-nos ajeitando, ambas as partes redefinindo-se para se complementar, para se conhecer, para se aceitar.
E assim nasceu esta paixão, que dá, agora, lugar a essa euforia própria dos começos, da descoberta, da novidade.
Estou apaixonada. Muito. Por esta nova cidade em que vivo. Que tem os melhores pôr-do-sol, nas suas pontes. Que me tem apresentado algum Sol, mas sobretudo me tem trazido muitas pessoas. Umas ficam, outras nem por isso, mas todas vão deixando um pouco de si, da sua historia ou, simplesmente, da sua gargalhada.
Estou apaixonada pelos seus cantos, pela sua pequenez, por esse ar de vila, onde todos se conhecem, mesmo que muitos sejam de tantos outros paises.
Eu nao queria mudar. Hesitei, tive dúvidas e tive, sobretudo, muito medo deste recomeço. Há males que vem por bem. Este veio para me apaixonar. Pela cidade.

Solteira aos 34

Conheces rapaz num bar. Conversam. O rapaz põe-te a mão na cintura, flirta, conversa mais um pouco, tenta tirar-te o cigarro, porque te faz mal e serve de desculpa para que te toque, mais uma vez, casualmente. Pergunta-te há quanto tempos fumas, acreditando que é a primeira pessoa que te vai explicar os maleficios da coisa e convencer-te, ali e agora, a deixar de fumar. Fazes as contas, 34 menos 14, porra, já fumo há 20 anos.
Rapaz fica perplexo a olhar para ti. Rapaz tem 23 anos.
Daqui, são duas as conclusões que se tiram. Fumaste durante toda a vida do gajo que tentou pôr a mão no teu rabo e este creme anti-rugas é mesmo bom.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Viver fora

Desde que emigrei, inevitavelmente, sempre que volto a Portugal, sinto-me deslocada. Adoro lá estar, conto os dias para lá estar, mas perdi o "meu" sitio.

Já não conheço as modas. Não conheço os novos restaurantes, os famosos novos mercados, nunca ouvi o "Bo tem mel", não faço ideia quem são as personagens que entraram na Casa dos Segredos e, pior, já não sei o que vestir. Não só porque o meu guarda-roupa deixou de comtemplar mangas curtas ou sandálias, mas também porque não faço ideia o que se veste, por essas bandas. E isso, pá, parecendo que não, dá cabo duma miúda.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O que ninguém nos explica

Quando mudamos de país, passamos a ter, na nossa vida, um sentimento de saudade, constante. Não há dia que não tenha saudades de Portugal. No entanto, quando se volta a Portugal, a partir de certa altura, já se sentem saudades de certas coisas, relativas a esse novo país que nos acolheu, ainda que a ele não pertençamos. E este é o principalmente motivo, pelo qual, se diz que quando se vive fora, já não se volta. Nunca mais se volta. Mesmo voltando.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

E esta, hein?

Este fim de semana, estava eu, alegramente, a conversar com uma amiga espanhola, quando um rapaz nos interrompe, para meter conversa. Pergunta se somos espanholas, a espanhola, obviamente, respondeu que sim e eu ca fiquei caladinha, que vi logo que não era para mim a chamada de atenção.
Pois que o menino também era português. De Bragança. E ali esteve a dar o seu melhor espanhol enquanto batia couro. Quando a espanhola se fartou, lá meteu conversa comigo. Perguntou-me de onde sou. E perante a minha resposta, informou-me "odeio".
"desculpa? Como assim odeias? A minha cidade? Eu? As pessoas?"
- "Odeio tudo, odeio Lisboa, o Ribatejo, o Alentejo e o Algarve. Odeio o sul"
- "mas conheces alguém de lá?"
- "Nao e recuso-me. Nós, do norte, somos assim, odiamos o Sul"

Posto isto, saí de fininho, já a fazer o figão, que isto do quebranto pode ser uma grande tanga, mas nunca fiando.
Fiz uma única consideracao sobre o assunto, mas deixo-vos com isto e com a caixinha de comentários, ali em baixo, para que me contem as vossas.

O flagelo

Sempre achei interessante a forma como a natureza e o nosso próprio corpo nos conseguem enganar a mente.
Homo sapiens com pouca sapiencia quando o corpo nos traí.
Achava que estava imune a certas ideias e certos comportamentos, e acreditava que isso se devia ao facto de ser um espécimen altamente desenvolvido, em que a inteligência era de tal forma afiada, que nao havia cá engodos.
Uma convencida do pior, sem modéstias e merdas. Entendo o que se passa no corpo e na natureza e isso seria o sufiente para me tornar num ser acima da média, capaz de passar a perna a essa grande trapacieira, a natureza.
Até ao dia...
Há uns meses, achei que devia parar de tomar a pílula. Na irlanda só vendem com receita, na Irlanda, eu tenho alergias a medicamentos que em Portugal, nem beliscam e, na Irlanda, em desespero de causa, em plena crise alérgica a um antibiótico que me deixou pior que a doença, achei que já chegava de andar a meter porcaria cá para dentro, acabou-se tudo o que era bolinha química pela garganta.
E durante 6 meses a minha pacata vida e a minha tão aclamada inteligência, foram todas para o galheiro. Durante 6 meses, tive, pelo menos uma semana, de drama por mês.
De repente, achava que o mundo estava contra mim. Que as pessoas não gostavam de mim. Que se tinham dito que o dia estava bonito, me estavam a despachar. Sentia-me sozinha, sentia-me estagnada, cheguei até a sentir-me velha acabada, "a minha vida é só isto e vou ser infeliz para toda a eternidade". Sim, isto ocorreu-me.
Todas as vezes que tive este pensamento, exactamente no dia seguinte, a mae natureza dava-me sinal. E eu, invariavelmente, pensava "Ahhh, então era isto". Respirava, acalmava e ia à minha vida, "a ver se me lembro disto para o mês que vem". Mas não me lembrava e reiniciava o ciclo. Entupia os ouvidos do meu alvo amoroso, chorava na almofada, ligava às amigas para que atestassem a minha desgraça e lá vinha o que no anúncio dizem que é uma senhora com confettis. Respirava fundo e passava.
Cá por causa das coisas, voltei às 21bolinhas diárias. E a minha vida mudou. E fiquei a perceber, ainda melhor, o mundo que me rodeia e o verdadeiro flagelo deste mundo. Hormonas.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A felicidade nao traz felicidade a todos

Já estive nesse lugar. Nesse lugar, onde te vejo, agora. O mundo desaba-nos. As pessoas falham-nos. Os sonhos desmonoram-se.
O mundo, esse, acabou. Esse que nos dizem que continua a girar já nao é nosso, nao como o conhecemos. O nosso, esse, desmorou-se. Caiu-nos em cima da cabeça, no momento em que nos abalaram as crenças.
Ja estive nesse lugar. Em que era só eu e a minha dor. E ai de quem nos interrompesse. Se atravessasse entre nós, nesse momento em que eu,tão  embrenhada, a alimentava, acarinhava, ajudava a crescer. Nada era mais importante e nao me venham dizer que sim, porque nao sabem, nao estavam, nao sentiram. Esta dor é minha, só minha e essa que dizem que ainda posso causar, nao se compara. Pura e simplesmente, porque nao é minha. E porque já estive nesse lugar.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Esqueletos no armário

Um dos meus maiores problemas é a desorganização. Não sou, por natureza, uma pessoa arrumada e tenho a capacidade de um esquilo para acumular coisas que, acho eu, posso vir a precisar, eventualmente. Desde os tempos em que a minha mae me dizia “não sais de casa, sem ter esse quarto arrumado" que faço um esforço herculeo para conseguir manter a coisa apresentável. O problema é que se antes se tratava de um quartinho com 10m2 e um monte de roupa, em cima da cadeira, actualmente, tenho que lidar com tralha correspondente a uma casa com 2 andares, dois quartos, uma cozinha, uma sala e um jardim. Não pensem lá que vivo nalguma mansão. Apesar desta descrição vivo numa casinha muito pequenina e muito fofinha. Cheia de tralha que não tenho a certeza se vou mesmo precisar.

Nesta minha demanda, encontrei uns blogues sobre minimalismo e sugestionável como sou, não hesitei, decidi que ia passar a ter uma dessas casa onde tudo é branco e a pessoa nem espirra para não desiquilbrar o yin-yang da coisa. Sabe-se lá o espaço que ocupariam uns perdigotos.

E foi assim que descobri que isso do minimalismo usa e abusa do mesmo truque que eu usava com a minha mae, quando tinha mesmo que sair rapidamente, que uma adolescente sabe lá o que vai perder, se se demorar mais 5 minutos que o resto da malta.

Posto isto, só vos digo, quando entrarem numa dessas casa vazias, em que parece que nao vive lá alma, experimentem duas coisas : espirrar e abrir uma gaveta.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Ingenuity eats assumption for breakfast

E é só isto que me apraz dizer.

Sei que serão várias as pessoas que não  entederão esta frase. Podia perder o meu tempo a explicá-la, mas deixo a asumpção (não me venham com histórias sobre o novo acordo ortográfico, que esta é daquelas que nem se lê da mesma forma) para os ingénuos ou o que lhes quiserem chamar.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Publicidade enganosa.


Tenho um date este fim de semana. Enquanto muitas iriam já já a correr comprar roupa, fazer a depilaçao, ir ao cabeleireiro e esse tipo de coisas, o que é que eu vou fazer?
Limpar o carro.
Aparecer-lhe com o carro limpinho, sem lixo, nem pêlos de cão, é tanto ou mais enganador que uma gorda que usa spanx ou uma tábua com wonderbras.

This world is fucked up

Hoje, um amigo meu, escreveu, no facebook, um post, onde agradecia ao famoso hacker, que tornou as fotos pessoais da actriz Jennifer Lawrence, públicas.

Comentei o post, porque considero todo o desenvolvimento à volta desta história uma violação de privacidade enorme. Não consigo entender o entusiasmo à volta disto, quando a actriz até já aparece bastante descascada, em muitos filmes. Já me disseram que está um bocadinho mais descascada, mas, para mim, é claro que o verdadeiro interesse na coisa, é o facto de ser pessoal e permitir um voyerismo que a raça humana adora. Ninguém agradeceria fotos minhas dessa estirpe, logo, se alguém tivesse acesso ao meu telefone, não as encontraria. Mas encontraria mensagens pessoais, fotos que troco com uma amiga, só para aprovação do outfit, coisas que escrevo, screenshots de conversas, coisas que me fariam sentir nua. Ao final do dia, estas pessoas são comuns mortais, tal como nós e isto representa uma invasão cuja a dor mal consigo imaginar. Ao meu comentário, o meu amigo respondeu que, no fundo, tinha passado a ver a actriz de forma mais humana e que tudo isto resultava em publicidade positiva para a dita. Só faltava dizer que o gajo merecia um agradecimento. Só se esqueceu duma coisa, positiva, ou não, a dita publicidade teria que ser uma escolha sua. Tão simples quanto isso. Todo e qualquer ser humano tem o direito de escolha, sobretudo sobre aquilo que quer, ou não, partilhar, não importa se é actriz, empregada de mesa, blogger ou até, actriz pornográfica.

Entretanto, o cabrão que usou os seus conhecimentos informáticos para invadir quem, á falta deles, se mostrou mais vulnerável, continua a receber milhares de visitas e doacções para a sua conta paypal. Neste momento, há milhares de pessoas a contribuir para a riqueza dum gajo que ataca o mais fraco. E não me venham dizer que é a minha perspectiva e pardais ao ninho. É doente. Alguém mais forte atacou o mais fraco. E o mundo aplaude. A mim enoja-me.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Ó faxavor

Irritam-me as pessoas que acham que os outros, só por alguma vez lhes terem posto a vista em cima, são obrigados a ajudá-los.
Com esta história da crise tenho vivido o choque de ver pessoas com mérito e trabalhadoras a perderem os seus empregos e/ou a mudarem de país para conseguirem parcas oportunidades. Assusta-me quando vejo amigos que sempre se esforçaram e mostraram valor a serem despedidos. Porque me sinto próxima, me identifico-me e cai-me a ficha de que, talvez, não seja imune a uma situação semelhante.
No entanto, no meio desta confusão que se gera no mercado de trabalho em Portugal, vejo incompetentes a reivindicar cunhas. Também se trabalha para as cunhas. Entenda-se bem isso. E eu, nunca na vida, irei desperdiçar um favor com um contacto por uma gaja que mal sabe ler e escrever, mas tirou um curso numa dessas privadas falidas e, só por isso, já pode e acontece. Esforçar-se para aprender qualquer coisinha, isso já não é com ela. E coitadinha, os cursos são caros e pardais ao ninho. Minha amiga, eu aprendi excel, espanhol e até tricot, com um livrinho daqueles da europa-américa, comprado num mercado da terrinha. Graças a isso, consegui um estágio, cuja remuneração não chegava para o gasóleo. A partir daí, também tive sorte, muita sorte. Estive no lugar certo, à hora certa. Os livros, ainda os compros, daqueles da produtividade, ou como fazer apresentações ou outra merda qualquer, que me pareça ou me digam me falta.
Tentar melhorar nunca fez mal a ninguém e para a cunha, ao contrário do que se possa pensar, também é preciso valor. Nalguns caos, valor familiar, mas valor.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Conta-me histórias daquilo que eu nao vi...

Gosto de histórias. Gosto de histórias dessas que as pessoas chamam de estórias, só porque acham que o que é obsoleto e arcaico é mais poético. Gosto de as ouvir, de lê-las, de escrevê-las. Ao final do dia, quando arrumo as contas, as contabilidades, as finanças e o Sap na gaveta e me dedico ao exercício da escrita, esse é o meu mote, contar uma história.
Gosto de vários tipos de histórias, de suspense, de amor, de crime, ou até, e passo a redundância, de História. Gosto até dessas histórias da carochinha que nos contam nos frascos de champô e nos gel de duche. Pode ser poética a promessa de um cabelo sedoso.
De todas as histórias, as minhas preferidas são claramente as de amor. Defeito de género, diria eu. Gosto, particularmente, dos amores impossíveis e platónicos. Fernando pessoa e a sua Ophélia, Firmino e a sua cólera, Anna Karenina e o seu amante. Acho que, por isso, sempre achei que um dia viveria a minha. Acho que, por isso, achei, um dia, estar a viver a minha. Até o platonismo ter dado origem ao desejo. E quando se acorda essa besta...
Essa besta que põe em causa todas as tuas teorias, todas as tuas morais, toda a tua consciência. É como a pedra que bate no vidro do carro. A marca imperceptível que deixa, pouco a pouco, com os solavancos do dia-a-dia, vai-se transformando numa teia, até ser apenas um conjunto de estilhaços. É assim que o desejo transforma o coração. Deixa-o estilhaçado.
Como mulher moderna que sou, encolho os ombros e descubro um novo mote, é só mais um. É só um no milhão. Já se passou por pior, já se conheceu tanto mais, um dia passa, é só um num milhão. Há aqueles que são "só" um num milhão e os que são UM num milhão. E é tão subtil a diferença.