quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Drama queen

Venho aqui, por este meio, confessar que já tentei essa cena de pensar como um homem.

Armar-me em mulher moderna do século XXI que sou, assumir as minhas necessidades e conseguir ter ligações sem ter ligações.

A ideia pareceu-me paradisíaca. Disfrutar da parte que a natureza nos impõe, sem dramas, sem lagrimas, sem sentimentos, só os tais que se querem prazeirosos.

Foi um esforço grande. Ja aqui escrevi mil vezes, tal como dizia a Sissi, no antigo Cenas de Gaja, tenho o coração no pipi.

Nos tempos iniciais, a coisa foi uma ansiedade sem precendentes « Ai quenão  consigo, ai que vou ficar toda enamorada, ai, se ele não gostou ».

Entretanto, lá consegui encarnar a personagem. Fingi-me de confiante, segura e de quem sabe bem o que quer. E quis. E fui. E foi boa a horinha e coiso, que durou.

Vim feliz. Achei que era a maior, que tinha conseguido. Ehh lecas, estou tao modernilha.

Passou-se um dia e nada de ansiedades, nada de olhar para o telefone, nada de suspiros, nada de me perguntar se suspiravam lá do outro lado.

Passaram-se dois dias e continuei, distraída, ainda orgulhosa do meu feito.

Passou-se o terceiro dia e… qual é a piada desta merda ? Que valor acrescentado me trouxe? O sexo foi bom, sim, feito como se nao houvesse amanha, porque provavelmente nao haveria, mas… Fez-me feliz ? A verdade é que fez, mas só durante aquele instantinho que nos duram as endorfinas libertadas durante o acto. De resto, perdi totalmente o interesse por aquela pessoa. Deixou de me atrair.

E assim se conclui que o que eu preciso é emoção. Eu quero é drama.

 

5 comentários:

Isa disse...

Olha que engraçado, acho que publiquei um post hoje vagamente sobre este tema...

clara disse...

Pois publicaste! Li-o depois de escrever o meu. Juro!
E adorei a parye biologica da coisa, no teu post. Assim, já me sinto normal :p

Isa disse...

ahahahaha claro que acredito, nem por um momento achei que fosse inspiração :D, achei engraçada a coincidência, aquilo foi escrito em 2013, depois de ter convivido com uma moçada que se dizia adepta do amor livre (como desculpa para o cagaço de assumir um compromisso com alguém :)

Miss S. disse...

Olha, somos duas! O drama, o horror, mas haja uma ponta de felicidade continua!

Lullaby disse...

só consegui realmente ter uma 'relaçao' desse tipo uma vez na vida e depois descobri, quando o moço quis mais, que eu realmente so conseguia sentir-me bem naquelas circunstâncias porque ele nao me interessava porra nenhuma. fora isso, quando interessa, quando é realmente bom e nos levanta os pés do chão... é um drama tremendo, mas caramba, vale tanto a pena!