quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Maria Capaz

Tenho andado às voltas com esta história da barbearia em que não podem entrar mulheres e os comentários e reacções que a coisa suscitou.
Nunca me considerei femininista, precisamente porque nunca me identifiquei com as femininistas que conheci, nunca concordei com quotas em vez de méritos e, sobretudo, porque acho necessário saber identificar as diferenças antes de se reivindicar as igualdades. 
Não conheço o dono desta barbearia. Se calhar é mesmo um machista do pior e merecia que o seu local de trabalho fosse invadido por revolucionários. Por outro lado, não acho que o tema mereça a atenção de nenhuma mulher que lute pelos seus direitos. E nem é porque não tenho barba, é porque tenho outras questões me inquietam bastante mais. Quem lê naquele cartaz que a mulher está a ser colocada numa fasquia inferior à do cão, está a enfiar uma carapuça.
Homens e mulheres são diferentes. Ponto. Começamos pelas diferenças óbvias, as físicas, acabamos, nas diferenças de aptidão, comportamento e intelectuais. 
Os homens sempre tiveram esta necessidade de estar entre eles, de poder falar de javardices, enquanto nós vamos tendo as nossas conversas pelo telefone, por mail ou através de blogues. Não precisamos tanto de presença física nem de cerveja. Se os homens o querem fazer numa barbearia, be my guest. 
Nos comentários que li, li uma comparação muito errada, deste tema com o novo projecto da Rita Ferro Rodrigues e da Iva Pamela, o site Maria Capaz. Em primeiro lugar, o site é composto por artigos escritos por homens e mulheres. Em segundo lugar, o seu acesso não é vedado a homens, qualquer um o pode ler. O site é sobre mulheres. Primeiro porque pode, depois porque como qualquer outro projecto, escolheu o seu nicho de mercado e, finalmente, porque, efectivamente, ainda se verifica descriminação e é necessário falar nela e lutar contra ela. 
Outro comentário que li, foi a comparação com as entradas nas discotecas. E gostava de explicar isto. O problema não está assente em sexismo, mas em capitalismo. Em Portugal, uma mulher que se veja forçada a comprar um valor mínimo de bebidas, quando só faz tenções de beber uma Coca-cola, fica em casa. Uma discoteca que não tenha mulheres, não interessa a homens. No país onde vivo, as entradas são cobradas a todos os géneros. Aqui, as mulheres não se fazem rogadas a uma boa quantidade de álcool a ingerir, mas na verdade, uma entrada paga, aqui, não dá direito a bebida nenhuma. Apesar da grande fonte de rendimento ser a venda de bebidas, parte-se do princípio  que o serviço oferecido é mais abrangente. Há uma música, um ambiente, uma segurança e uma limpeza que também são cobradas. O modelo em que assenta o negócio e as mentalidades são diferentes. Podemos discutir qual é o mais correcto, mas não numa óptica sexista. 
Para mim, estes são três  assuntos que não vale a pena discutir e as revoluções que me parecem verdadeiramente necessárias teriam que ser contra as entidades empregadoras que pagam menos a uma mulher (ou outras "minorias") que tenha as mesmas competências, contra os maridos que, depois duma jornada de trabalho, acham que só a mulher se deve dedicar a essa outra, a da casa e dos filhos e contra as situações que se vivem ainda fora da Europa, onde as mulheres não tem ainda voz, direitos e/ou visibilidade. 
Com o resto, não me macem. 

3 comentários:

Isa disse...

juraaaaa que houve mulheres a compararem-se a cães? Mas devo admitir que o texto se estiver escrito assim é passível de ser ofensivo: proibida a entrada a mulheres, mas homens e cães é na boa? O gajo da barbearia apelou...

Mam'Zelle Moustache disse...

Concordo tanto. A vitimização nunca levou a lado nenhum. Mais, pode ser perigosa. Mas também é o caminho mais fácil. E a malta gosta de se vitimizar e de reflectir pouco.

Anónimo disse...

As lamurias no feminino do costume...já não há pachorra minha N.Senhora

- eles ganham mais
- eles não fazem pevia em casa
- eles,
- eles......

pareces a maldita cassete do Dr. Cunhal!!!!!

NILO