segunda-feira, 27 de abril de 2015

Mais além

Cedo aprendi que é boa prática querer sempre mais e melhor.

Em miúda, deveria procurar ter melhor notas, em adulta, procuro sempre mais conhecimento, mais desenvolvimento, mais qualquer coisinha, que pode ir desde de melhorar, eu, o meu próprio trabalho ou procurar melhores condições.

Diz que se chama ambição e que é saudável.

Habituamo-nos tanto a querer mais e melhor (e viva o capitalismo!) que não o procuramos apenas em actos de consumo ou em factores laboriais. Passámos a esperar, também, mais e melhor das pessoas que nos rodeiam. Seja a colega intragável à segunda-feira, seja um namorado que não faz aquilo que tanto gostávamos.

Eu acredito na procura pelo o melhor do melhor. Mas acredito muito pouco se essa procura se baseia em coisas que não controlamos. E pessoas, sejam elas mais ou menos intimas, próximas ou não, são, invariavelmente, coisas que não controlamos. Podemos até, ajudá-las a melhorar, seja em que aspecto for. Apenas, e se, houver pré-disposição para tal. E eu, pessoalmente, gosto de gente que procura sempre ultrapassar-se a si própria.

Com alguém que achamos que podia melhorar um aspectozinho qualquer, temos duas hipóteses. Ou aceitamos e gostamos daquilo que já são ou não gostamos e não aceitamos. Não aceitando, vai cada um à sua vida. Está mais que provado que esperas por melhorias são uma utupia. Tudo o resto é sorte. Ou nós próprios quem melhora.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Eu não te entendo

Vou te confessar uma coisa, eu nem sempre te entendo.

Não entendo as tuas decisões, as tuas escolhas, a forma como vives a vida.

Não entendo porque te isolas ou porque escolhes passar o teu tempo com pessoas com as quais não me identifico. Não entendo porque é que não fazes dieta ou porque escolhes não sair do ginásio. Não entendo porque manténs uma relação ou porque escolhes acabá-la. Nem sequer entendo porque a decides iniciar ou forçar ou reconquistar.

Porque entendendo ou não, terei sempre um abraço para te dar, um ombro para chorar ou um todo para celebrar. Porque este é o meu conceito de amizade. Identifico-me contigo em muitas outras coisas, rio-me a bom rir quando estamos bem, gosto das eras, passadas ao telefone, a analisar o que te atormenta ou te faz feliz.

Nem sempre te entendo, porque acima de tudo, não te julgo. E porque gosto de ti.